A Polícia Federal foi acionada nesta quinta-feira (29) pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar denúncias de violência contra comunidades Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, após o segundo turno das eleições presidenciais. Os relatos incluem ameaças de envenenamento da água, ataques racistas e o incêndio de uma casa de reza.
No mesmo dia, a PF realizou uma operação no Rio Grande do Sul para apurar conflitos na Terra Indígena Kaingang Ligeiro.
Em Tacuru (MS), a casa da líder espiritual indígena Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi destruída pelo fogo na manhã desta quinta-feira. O incêndio atingiu também instrumentos sagrados utilizados em cerimônias tradicionais.
A comunidade denuncia que o episódio foi criminoso e relata que a idosa já havia sofrido discriminação e intolerância religiosa por exercer suas práticas espirituais.
Na quarta-feira (28), um servidor da Prefeitura de Tacuru foi afastado após a divulgação de uma mensagem de WhatsApp que sugeria envenenar a água consumida por indígenas da aldeia Sassoró.
O Ministério Público Federal deu prazo de 48 horas para que o município esclareça as ameaças e informe as providências adotadas.
Governo apura violência após eleições
As denúncias foram reunidas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por organizações indígenas locais.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas informou que acionou a PF para investigar os episódios. A apuração também envolve os ministérios dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial.
A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) denunciou outros episódios de violência contra comunidades indígenas, incluindo um incêndio em território do povo Tikm’n, conhecido como Maxakali, em Minas Gerais.
PF cumpre 26 mandados no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, 175 policiais participaram da Operação Diáspora, realizada na Terra Indígena Ligeiro, em Charrua, e em outras localidades.
Foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, sendo 19 em Charrua, seis em Tapejara e um na Terra Indígena Serrinha, em Ronda Alta.
A investigação, iniciada em abril, apura expulsão de famílias, confrontos armados, agressões, roubos e suspeitas de tráfico de drogas, extração ilegal de madeira e arrendamento irregular de terras.
Durante as buscas, foram apreendidos materiais relacionados aos fatos investigados. A PF não divulgou uma relação completa dos itens recolhidos.
AJUDEM OS INDÍGENAS! RACISMO E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA fizeram com que a sacerdotisa/líder espiritual Guarani e Kaiowá ñandesy Roberta Ximenes, de 90 anos, teve sua casa incendiada na manhã desta quinta-feira (29), na aldeia Jaguaripé, no Mato Grosso do Sul. https://t.co/sJaaD0ZC1X
— Nossos Orixàs (@NossosOrixas) October 29, 2026
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pf-ataques-indigenas-eleicoes/

