PF mira Mário Frias e Karina Gama em operação sobre financiamento de Dark Horse, filme de Bolsonaro

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama estão entre os 22 alvos de 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, sem mandados de prisão.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, com crimes que vão de peculato à lavagem de dinheiro.

Operação ‘Make Up’: PF mira desvio de verbas públicas para filme ‘Dark Horse’

A Operação Make Up foi deflagrada conjuntamente pela PF e pela CGU com base em inquérito que tramitava em São Paulo e foi avocado para o STF. Os 49 mandados de busca e apreensão, autorizados por Flávio Dino, alcançaram endereços em quatro unidades da federação. Mario Frias, que foi secretário de Cultura do governo Bolsonaro, e Karina Gama, produtora do filme, figuram entre os alvos centrais da ação, ao lado de outras 20 pessoas.

O foco da investigação é um suposto esquema em que uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados. Segundo a PF, foram identificadas movimentações de centenas de milhões de reais entre as empresas ligadas ao esquema, e as tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano. Os crimes investigados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. O uso de emendas parlamentares como veículo do suposto desvio coloca a investigação no centro do debate sobre o controle e a transparência desse mecanismo orçamentário.

As duas frentes de investigação no STF

O financiamento de Dark Horse é objeto de duas investigações distintas no Supremo Tribunal Federal, com relatores e focos diferentes. A Operação Make Up desta quinta-feira é desdobramento do inquérito sob relatoria do ministro Flávio Dino, que se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.

A segunda investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, percorre outro caminho: examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro, e o trajeto percorrido por esse dinheiro. As duas frentes são complementares na compreensão do esquema, mas juridicamente independentes. Enquanto a investigação de Dino mira o fluxo de recursos públicos via emendas, a de Mendonça debruça-se sobre o financiamento privado de origem investigada, o que sugere que o filme teria sido bancado por ao menos duas fontes distintas, ambas agora sob escrutínio judicial.

Delação premiada e os repasses de Daniel Vorcaro

Na véspera da operação, na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. O acordo foi assinado com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto. Em seu depoimento, Mineiro afirmou ser responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Daniel Vorcaro, destinado a pagamentos de propina. Ele também declarou ter realizado sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, totalizando US$ 12,333 milhões, equivalentes a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025.

Segundo a delação, esses repasses foram feitos a mando de Vorcaro, após pedido de Flávio Bolsonaro para financiar o filme. A conexão entre o ex-banqueiro e a família Bolsonaro havia sido revelada pelo Intercept Brasil em maio, quando o veículo publicou uma troca de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Vorcaro para a produção. De acordo com a reportagem do Intercept, o dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. A delação de Mineiro, agora homologada, fornece à investigação de André Mendonça um relato interno sobre o funcionamento desse fluxo financeiro.

Fonte: https://revistaforum.com.br/revista-forum/pf-mario-frias-karina-gama-dark-horse-bolsonaro/