A produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, movimentou R$ 20,9 milhões em despesas no Brasil, segundo documentos da empresa GoUp reunidos nas investigações do caso Master. Os novos detalhes somam-se às informações obtidas com exclusividade pela revista Fórum, que, ainda em dezembro do ano passado, detalhou irregularidades e agressões ocorridas no set de filmagens da produção.
Os registros obtidos pela PF mostram pagamentos para elenco, equipe técnica, fornecedores, equipamentos, segurança, logística e outros serviços envolvidos na realização do longa.
A documentação detalha uma estrutura de produção que envolveu profissionais brasileiros e estrangeiros, com gastos concentrados em áreas como hospedagem, transporte, figurino e caracterização dos personagens.
Os principais valores identificados nos documentos são:
Hospedagem: R$ 1,42 milhão
A maior despesa individual detalhada pela documentação está relacionada aos hotéis. Ao todo, os registros apontam R$ 1.426.897,51 em gastos com hospedagem.
Do total, R$ 733.913,20 foram atribuídos à estadia de Jim Caviezel, ator norte-americano que interpreta Jair Bolsonaro no filme.
Entre os pagamentos aparecem despesas no hotel Unique, em São Paulo. Em 8 de dezembro de 2025, uma transferência de R$ 107,5 mil foi registrada como a sexta e última parcela da hospedagem de Caviezel, de seu agente Nath Lewis e de integrantes da equipe de segurança.
Outro pagamento, realizado em 30 de dezembro, no valor de R$ 298,3 mil, foi descrito como despesa relacionada à hospedagem do ator, além de gorjetas e serviços de massagem.
As notas fiscais anexadas aos autos também registram outras estadias:
- R$ 107,5 mil para hospedagem de Nathon Shayne Lewis, James Patrick Caviezel e Richard Michael Dobrich entre 5 e 9 de novembro;
- R$ 124,5 mil para o mesmo grupo entre 1º e 5º de novembro;
- R$ 107,5 mil para permanência dos três entre 9 e 13 de novembro.
Os documentos ainda apontam um pagamento de R$ 8,7 mil referente à hospedagem de Mark Giffen, identificado como filho de Cyrus Giffen, entre novembro e dezembro de 2025.
Também aparecem duas parcelas de R$ 34.417,80, pagas em 3 e 17 de novembro, destinadas à hospedagem de dois seguranças ligados à produção.
Caracterização: perucas e apliques
A documentação também revela gastos para composição visual dos personagens.
Um dos pagamentos registrados foi de R$ 10 mil pelo aluguel de uma peruca usada por Jim Caviezel para interpretar Bolsonaro.
Além disso, a produção gastou:
- R$ 3 mil com aluguel de apliques para uma personagem;
- R$ 5,5 mil com compra de perucas para o dublê de um personagem e um kit de dreadlocks.
Figurino: R$ 518,5 mil
Outra área de despesas foi o figurino. Os documentos indicam R$ 518,5 mil destinados ao setor.
O maior pagamento foi de R$ 210 mil para a equipe responsável pelo figurino, dividido em 26 pagamentos.
Também aparecem:
- R$ 157,5 mil para locação de peças e acervo;
- R$ 120 mil para transporte dos itens;
- R$ 30,9 mil para serviços de costura, bordado e lavanderia.
Transporte e veículos
A logística da produção também envolveu valores expressivos.
Os registros apontam 81 pagamentos relacionados a motoristas, vans e caminhões, que somam R$ 375,9 mil.
Além disso, foram identificados:
- R$ 402,7 mil em quatro pagamentos para aquisição de veículos;
- R$ 14 mil em 32 despesas com estacionamento.
A produção “Dark Horse” aparece entre os elementos analisados pela Polícia Federal na investigação sobre recursos relacionados ao caso Master. Os documentos passaram a integrar os autos após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo de parte das investigações.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/relatorio-pf-dark-horse-peruca/

