A revista Veja tirou do ar a reportagem intitulada “A sociedade secreta de Lulinha com o ‘Careca do INSS’”, publicada na editoria de política e divulgada também nos perfis oficiais da publicação nas redes sociais. Neste domingo (15), o endereço original da matéria passou a redirecionar para a página inicial do site da revista, com sinalização técnica de remoção.
O caso ganhou repercussão porque a reportagem atribuía a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, uma suposta relação empresarial com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, nome que aparece no centro da investigação sobre fraudes bilionárias contra aposentados. A chamada foi colocada em circulação pela própria Veja, mas o texto integral deixou de ficar acessível no site.
Matéria foi publicada e depois retirada
O rastro digital da publicação confirma que a reportagem existiu. O título continuava aparecendo indexado em mecanismos de busca com URL própria da Veja, e a chamada permaneceu visível em postagem da conta oficial da revista no X. Ao abrir o endereço da matéria neste domingo (15), porém, o usuário era levado à home do portal, com o parâmetro removed=true, indicativo de que o conteúdo foi removido da página original.
O mesmo título também apareceu em publicações vinculadas à Veja em outras plataformas, o que afasta a hipótese de montagem apócrifa ou fabricação por perfis anônimos. O que houve foi a divulgação pública de uma reportagem que, horas depois, já não estava mais disponível para leitura integral no próprio site da revista.
O que a reportagem dizia
Nos trechos preservados em buscadores e nos prints que passaram a circular nas redes, a reportagem afirmava que Lulinha teria discutido uma sociedade com Antonio Carlos Camilo Antunes na área de cannabis medicinal. O texto mencionava ainda viagens a Portugal, suspeitas de pagamentos indiretos, movimentação financeira milionária e a ofensiva da CPMI do INSS para quebrar sigilos do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema, de fato, já vinha sendo explorado por outros veículos. A CNN Brasil publicou, no fim de fevereiro, que um informante da Polícia Federal relatou à CPMI ter trabalhado com o “Careca do INSS” em uma empresa chamada World Cannabis e alegou que o operador pagava mesadas a Lulinha para facilitar acesso a órgãos do governo em Brasília. Na mesma reportagem, a emissora registrou que as defesas de Lulinha e de Camilo negaram com veemência essas acusações.
A gravidade editorial do episódio envolvendo a Veja
Quando um veículo publica uma reportagem de alto impacto contra o filho do presidente da República, impulsiona a chamada em perfis oficiais e depois retira o texto do ar sem deixar, até aqui, uma explicação pública visível no próprio link, cria-se um problema adicional: a acusação continua reverberando, mas o conteúdo deixa de estar disponível para auditoria do leitor.
Chamada segue no ar, texto desaparece
Na prática, o que permanece circulando é a manchete. O leitor vê o título, encontra prints do conteúdo e localiza a chamada em rede social, mas não consegue mais acessar a peça jornalística no endereço original para conferir integralmente o que foi publicado, quais documentos embasavam a narrativa e em que termos apareceram as acusações atribuídas à reportagem.
Em casos assim, a transparência editorial é parte da notícia. Se o texto foi corrigido, reescrito, retirado por questionamento jurídico ou revisto por fragilidade factual, cabe ao veículo explicar. Até o momento, o que há de público e verificável é isto: a Veja publicou a reportagem, distribuiu a chamada e, neste domingo (15), manteve fora do ar o conteúdo que havia colocado em circulação.
https://x.com/brparalerdo/status/2033151768373117366
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/revista-veja-publica-ataque-contra-lulinha-e-apaga-reportagem-do-site/


