A largada para a decisão do segundo turno das eleições presidenciais trouxe à tona uma forte movimentação de capital financeiro voltada ao impulsionamento de conteúdos e ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Um mapeamento realizado nos registros oficiais da Biblioteca de Anúncios da empresa Meta, detentora de plataformas de alcance massivo como o Facebook e o Instagram, referente ao intervalo entre 5 e 10 de outubro, revelou a origem de onde partiu a maior fatia de recursos empregados nessa ofensiva digital. O protagonista dessa estratégia de financiamento publicitário é Paulo Skaf, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável por bancar individualmente 65,5% do montante global destinado a difundir críticas e investidas contra o candidato petista nas redes.
O centro da ofensiva patrocinada pelo dirigente patronal é o firme rechaço a propostas que preveem o término da jornada laboral na escala 6×1 (seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um único dia de descanso). Skaf contestou abertamente a iniciativa e a classificou de maneira pejorativa como “PEC Boca de Urna”, alegando que a proposta seria apenas uma estratégia eleitoral sem viabilidade prática.
Em veiculação veiculada em seus perfis públicos, o industrial criticou a atuação do mandatário:
“Engraçado, presidente Lula, depois de 18 anos de governo do PT, só agora, na véspera da eleição, ele está preocupado com [a jornada] 6×1”, declarou Skaf, sustentando ainda o argumento de que uma eventual diminuição nas horas de trabalho semanais resultaria no repasse de custos e consequente inflação de produtos e serviços.
Estrutura do patrocínio e alcance de massa
A publicação contrária à pauta dos trabalhadores foi disponibilizada no dia 7 de outubro e teve seu impulsionamento financeiro ativo até 9 de outubro. As informações disponibilizadas pela Meta apontam que a veiculação consumiu até R$ 7 mil, montante extraído das contas institucionais da própria Fiesp. Com esse montante aplicado na otimização de algoritmos de entrega, o conteúdo veiculado na página pessoal de Skaf rompeu barreiras orgânicas e alcançou um contingente superior a 1 milhão de usuários nas duas redes sociais controladas pela Big Tech.
O cenário registrado nesta etapa decisiva da eleição expõe uma alteração significativa no padrão do impulsionamento de propagandas adversas ao governo. Durante o primeiro turno, a maior parte das verbas publicitárias partia diretamente de postulantes a cadeiras no Legislativo. Desta vez, contudo, o volume total apurado revelou uma pulverização bem menor e um perfil mais concentrado: ao todo, foram mapeados 13 anunciantes cujos aportes combinados somaram R$ 10,7 mil no período.
Logo abaixo do aporte promovido pela Fiesp via Skaf, figuraram no ranking de patrocinadores:
- Direção Nacional do Republicanos: com alocação de até R$ 1,5 mil em propagandas patrocinadas.
- Tenente Coimbra (PL): deputado estadual reeleito em São Paulo, que destinou cerca de R$ 500 para impulsionar peças analógicas do mesmo viés.
Reação política e promessa de ações judiciais
A revelação dos dados da plataforma Meta provocou repercussão imediata nos quadros do Executivo e nas instâncias partidárias. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reagiu veementemente à veiculação e ao uso do orçamento institucional para finalidades político-eleitorais.
Em manifestação veiculada em suas redes, Boulos classificou o episódio como inaceitável e prometeu acionar os órgãos de fiscalização:
“ESCANDALOSO! Paulo Skaf pagou 65% do impulsionamento contra Lula no 2° turno. E o mais grave: usou dinheiro do Sistema S (que sustenta a FIESP) para fazer campanha eleitoral. Não é apenas imoral. É ILEGAL! Vamos denunciar e, acima de tudo, seguir tomando as ruas e as redes!”, afirmou o ministro.
https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2110033334231273507
A polêmica reabre o debate sobre os limites legais e éticos do emprego de orçamentos de entidades patronais mantidas com recursos de contribuições parafiscais, como é o caso das estruturas do Sistema S, na disputa político-partidária e na modulação do debate público durante o período das eleições.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/skaf-fiesp-pagou-65-postagens-anti-lula-meta/


