165 anos de Lou Andreas-Salomé

 

 

Se as mulheres das próximas gerações pudessem reescrever a história intelectual dos séculos 19 e 20, essa reescrita deveria passar pela obra de Lou Andreas-Salomé. Pioneira na articulação entre filosofia e psicanálise, Lou nunca deixou de expressar no seu trabalho teórico-clínico e criativo aquilo que, em seu modo de ver, possuía valor maior: a possibilidade de inaugurarmos novas formas de vida. Com coragem, audácia e sutileza, ou seja, aquele páthos trágico que a distinguia dos demais, desbravou a mata intelectual da Europa de seu tempo, inventando para si uma vida antes mesmo que houvesse modelo. Circulou em meio a pensadores como o filósofo Friedrich Nietzsche, o fundador da psicanálise Sigmund Freud e o poeta Rainer Maria Rilke, de modo que abriu picada na história da psicanálise e da filosofia, como faziam os desbravadores diante da mata selvagem e inóspita.

Mas assim como as raízes que compõem uma floresta se fincam a ela, as diversas versões da história intelectual resistem. Algumas árvores e frutos dominam mais, outros, menos. No fim das contas, a mata pode ser olhada bem de perto e de baixo, como fazem as cobras, ou do alto, como as aves de rapina. E ainda, talvez, como pássaros incautos que, voando distraidamente, podem ser aprisionados por alguma teia. Lou, porém, não se esquivou de encarar a mata: penetrando as folhas contra seu corpo, soube extrair do cânone uma obra filosófica, psicanalítica e literária que, em vez de pôr a vida a seu serviço, se põe a serviço da vida.

Por muito tempo, as mulheres e

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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/165-anos-de-lou-andreas-salome/