Basta abrir os olhos
Na capela Saint-Bernard de Montparnasse, em Paris, em 8 de fevereiro de 1971, Michel Foucault, Jean-Marie Domenach e Pierre Vidal-Naquet convocam uma coletiva para anunciar a criação do Grupo de Informações das Prisões (GIP). Foucault inicia dizendo: “Nós estamos sob custódia policial”. Esse “nós”, reunido em solidariedade à greve de fome dos presos políticos da Esquerda Proletária (EP), sentia na pele a repressão do Estado. A outro “nós”, ele volta a se dirigir em sua primeira aula de “Teorias e instituições penais”, curso no Collège de France ministrado entre 1971 e 1972: “A razão de ser deste curso? Basta abrir os olhos”. As salas, os auditórios e as ruas estavam abarrotados de estudantes, professores e militantes marxistas, marxistas-leninistas, trotskistas, stalinistas, marxistas althusserianos, marxistas ex-althusserianos ou maoistas. Para quem está na iminência da prisão, da tortura e da luta, a resistência, a revolta e a revolução não são abstrações. Por isso, uma genealogia do aparelho repressor enfrentado nas barreiras do Quartier Latin significava fortalecer “a luta do povo contra o poder”.
A publicação dos inéditos – que vem acontecendo desde 2011 – faz emergir essas vozes e faces de um Michel Foucault filósofo não encontradas previamente em seus livros, ao passo que descortina a pergunta por aquele presente histórico e seus interlocutores imediatos. Essas referências atravessam seus textos como um fio vermelho, de tal modo que o poder central em suas investigaçõe
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/a-revolucao-como-problema-transformacao-de-si-dos-outros-e-do-mundo/


