Estado de graça: Os versos de Leonard Cohen

Leonard Cohen no festival Isle of Wight, em 1970. col underhill/sony music/divulgação

 

 

As canções vivas

Durante cada apresentação musical, Leonard Cohen agradecia ao público. Tal agradecimento estava longe de ser protocolar. Nos últimos anos de vida, quando voltou a fazer turnês, momentos assim ficaram mais intensos para cantor e plateia. Cohen – um senhor de 70 e poucos anos – não se cansava de dizer entre as canções frases do tipo: “É uma honra tocar para vocês nesta noite”; ou ainda: “Quero agradecer não só por esta noite, mas pelos muitos anos em que vocês mantiveram minhas canções vivas”.

Nos gestos, olhos e voz do cantor, além de genuinidade, havia algo de muito elegante ao pronunciar tais palavras, tanto que, ao ouvi-las, o público de imediato experimentava um forte sentimento de comunhão. Sentimento quase religioso, porque a gratidão do cantor parecia se aproximar de um estado de graça.

Elegância

Leonard Cohen cultivou a elegância não só porque usava terno alinhado e chapéu fedora nas apresentações. Aliás, ele se vestia assim porque seu pai – que faleceu quando tinha nove anos – trabalhava com alfaiataria. A roupa, portanto, era homenagem ao pai e, ao mesmo tempo, um fardo, já que, embora tivesse tentado muitas vezes, o poeta não conseguia se vestir de outro modo. Não conseguia parecer jovem como os demais jovens que começavam a popularizar o jeans.

Cohen publicou o primeiro livro de poemas, Let Us Compare Mythologies , em 1956, aos 22 anos. Apenas em 1967 estrearia como cantor com o álbum Songs of Leonard Cohen. Num cenário como o da então nascente música pop dos

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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/estado-de-graca-os-versos-de-leonard-cohen/