O jornalismo ainda está devendo uma boa reportagem sobre a ocupação da USP pelos estudantes, que enfrentam a repressão violenta da polícia de Tarcísio de Freitas e os ataques de políticos bolsonaristas.
Que forças são essas das esquerdas que voltaram a mobilizar o campus da maior universidade do país?
Até os robôs da inteligência artificial sabem explicar melhor o que está acontecendo na USP do que os repórteres. A cobertura é apenas noticiosa, quase precária.
DESCARADA
Manchete do Estadão faz propaganda descarada para Tarcísio de Freitas:
Governo Tarcísio aplica multa de R$ 1 bi à Fast Shop por fraude no ICMS e propina a auditor fiscal
E esta é a manchete ‘neutra’ do Globo:
Governo de SP multa Fast Shop em R$ 1 bilhão por fraudes no ICMS
Quando a polícia de São Paulo mata, não aparece nas manchetes nem mesmo que é a PM sob comando do governo. Mas quando é para sugerir caçada a fraudadores, o nome do sujeito vai para a capa.
O Estadão, depois de um período surpreendente, com boas pautas de jornalismo raiz, voltou a ser o que sempre foi.
POR QUE AGORA?
E tem mais essa manchete, que ficou quase toda a manhã na capa da Folha nessa terça-feira:
Em discursos como deputado, Flávio deixou de lado saúde e educação para defender polícia
A Folha acrescenta:
“Filho de Bolsonaro diz que foco contra crime organizado em pronunciamentos na Alerj nunca impediu atuação em outras áreas”.
A quem interessam os discursos do candidato do pai quando era deputado? A manchete é na verdade um apito para as bases do sujeito.
Flávio é vendido como o cara preocupado com a polícia e a segurança. Com um detalhe enfatizado pelo jornal: o foco dele é o combate ao crime organizado. Mesmo sendo ligado a milicianos.
MODERAÇÃO
E saiu na Folha de São Paulo de novo: Flávio é o moderado da extrema direita. Leiam esse trecho de reportagem sobre Romeu Zema:
“Ao protagonizar embates com o STF e dar declarações polêmicas, como a favorável ao trabalho infantil, Zema tem se diferenciado de Flávio, que busca um discurso de moderação para evitar a rejeição ligada ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)”.
Arrumaram um jeito de falar de Flávio, num texto sobre Zema. A pauta é intermitente: o filho tem que ser vendido como o candidato da moderação, e Zema e Caiado passam a ser os radicais.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-ocupacao-da-usp-e-o-jornalismo-noticioso-por-moises-mendes/

