Menos de 48 horas depois da apuração do resultado eleitoral, Flávio Bolsonaro fugiu do país. Sempre se soube que ele buscava o cargo de Presidente da República como salvo-conduto para si, para sua família e demais bolsonaristas, inclusive ministros da Suprema Corte, envolvidos em escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.
A eleição não foi um certame democrático corriqueiro, mas uma disputa de vida e morte entre a democracia e o banditismo/gangsterismo que está incrustrado na Faria Lima, no meio empresarial, no Congresso e nas instituições do Estado brasileiro.
O pastor e deputado federal Otoni de Paula-PSD/RJ entende que “Bolsonaro e sua família nunca foram fiéis à igreja. Sempre usaram o povo de Deus como massa de manobra eleitoral graças ao antipetismo”.
Esta talvez seja a definição mais apropriada sobre a natureza do fenômeno de massas liderado pela liderança aberrante que chegou a ocupar o Palácio do Planalto entre 2019 e 2022.
O bolsonarismo não se viabilizaria sem o antipetismo. Pelo menos não como essa força-movimento com tamanho poder de polarização da sociedade que fagocitou inteiramente a direita tradicional.
O bolsonarismo não teria prosperado sem a inculcação perseverante dos grupos da mídia hegemônica que durante mais de 20 anos semearam de maneira constante e com método semiótico o ódio ao PT e a Lula.
A mídia hegemônica, em especial a Globo da família Marinho, tem um papel determinante na gestação da monstruosidade bolsonarista.
Desde o nascimento do PT em 1980 a mídia estigmatiza e criminaliza o partido, sua militância e suas principais lideranças. É implacável contra Lula e o PT.

Já a partir do segundo ano da primeira gestão petista na presidência do Brasil a mídia instituiu um padrão de combate permanente ao PT e ao governo com a prática de um jornalismo de guerra.
A conclamação do oligarca Jorge Bornhausen [em 2005] de “acabar com a raça petista pelos próximos 30 anos” foi perseguida como missão editorial do punhado de famílias que controlam os meios de comunicação do país.
O PT sempre governou em ambientes de guerra permanente da mídia dominante, que abdicou de formas de cobertura crítica, isenta e equilibrada para adotar como linha editorial o denuncismo leviano e a estratégia de destruição da reputação de Lula e do PT associado-os à corrupção. A baixa taxa de aprovação do atual governo Lula é, em alguma medida, consequência disso.
A grotesca equivalência entre o PT e o PL, entre o petismo e o bolsonarismo, entre Lula e os gângsteres Bolsonaro não é só expressão de anti-jornalismo, mas significa uma escolha criminosa que deforma a realidade para manipular a opinião pública.
Apesar da candidatura do Flávio Bolsonaro representar o banditismo na política, a mídia normalizou o gangsterismo bolsonarista e equiparou Lula e o gângster-filho como faces de uma mesma “moeda democrática”.
O ódio antipetista e o ódio ao Lula é, no fundo, a tradução do ódio das oligarquias dominantes ao povo brasileiro. Essa mídia abjeta que cultiva e dissemina o antipetismo prefere afundar o Brasil no precipício fascista e reacionário a ter de admitir o sucesso de governos petistas que promovam políticas distributivas, de igualdade e justiça social e de soberania nacional.
A mídia foi eficaz na estigmatização do PT e dos petistas, que passaram a ser tratados como responsáveis por todos os males do país – o inimigo interno que precisa ser aniquilado.
Como documenta a literatura, a nomeação de um inimigo comum a ser perseguido, combatido e exterminado é o principal substrato que alimenta a maquinaria fascista.
Se a mídia hegemônica dispensasse a Lula apenas 5% do respeito humano e pela liturgia do cargo como corretamente sempre destinou a FHC, certamente o Brasil não estaria sob a ameaça fascista.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-responsabilidade-da-midia-na-gestacao-da-monstruosidade-bolsonarista-por-jeferson-miola/

