Acadêmico iraniano revela real participação da China em favor do Irã. Por Sara Vivacqua

O acadêmico iraniano Mohammad Marandi

O professor Mohammad Marandi é um acadêmico e analista político iraniano-americano. Nascido em 14 de maio de 1966, em Richmond, nos Estados Unidos, é filho de Alireza Marandi, médico que posteriormente integrou a equipe responsável pelos cuidados de Ali Khamenei. Aos 13 anos, mudou-se para o Irã e atuou como voluntário durante a Guerra Irã-Iraque, travada contra o governo de Saddam Hussein.

Após o conflito, cursou estudos superiores na Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Desde então, desenvolveu carreira acadêmica voltada principalmente para literatura inglesa, estudos culturais e relações internacionais.

Atualmente, Marandi é professor da Universidade de Teerã e participa com frequência de debates sobre política internacional, Oriente Médio e relações entre o Irã e países ocidentais.

Em entrevista ao DCM, ele apresentou a perspectiva de dentro do Estado iraniano e sua visão militar, geopolítica e cultural sobre a guerra movida pelos Estados Unidos e Israel contra seu país. Marandi explica por que acredita que a guerra continuará, analisa a situação militar e econômica do Irã, avalia o posicionamento do presidente Lula e do Brasil, e revela por que o Irã se tornou alvo, apesar dos alertas do Pentágono.

Diário do Centro do Mundo: Em uma de suas entrevistas, você mencionou que os israelenses “colocaram um preço na sua cabeça”. Pode explicar?

Mohammad Marandi: É de conhecimento público que, no X, houve uma arrecadação de fundos de 1 milhão de dólares para me sequestrar. Foi feita por uma conta verificada, uma conta conhecida, aparentemente registrada na Europa e, pelo que ouvi, com ligações com o regime israelense e também, aparentemente, com ucranianos.

Eles colocaram uma recompensa de 1 milhão de dólares pela minha cabeça. Eu não serei intimidado e continuarei falando. Mas é interessante que o X se recuse a remover o tuíte e se recuse a encerrar a conta verificada.

E nenhum governo europeu, nenhum parlamentar, nenhum parlamento e nenhum dos grandes veículos da mídia tradicional se preocupou em investigar quem estava por trás disso, para onde o dinheiro foi, quem recebeu o dinheiro, quem são essas pessoas.

É bastante impressionante que vivamos em um mundo no qual agora se pode arrecadar fundos abertamente para sequestrar alguém. E, naturalmente, uma vez que essa pessoa seja sequestrada, sabemos o que aconteceria em seguida.

O congressista republicano Ed Case confirmou que o Pentágono perdeu 39 aeronaves na guerra contra o Irã, expondo a destruição sem precedentes de ativos militares americanos. A hegemonia militar americana parece estar sendo derrotada de maneira inédita. Como você caracterizaria o que o Irã alcançou até agora nos campos militar, político e diplomático, e o que se pode dizer sobre o papel do Irã na consolidação do Sul Global?

Está bastante claro que os iranianos saíram vitoriosos e que derrotaram os Estados Unidos em todos os níveis. E, naturalmente, também derrotaram o regime sionista. O regime sionista não é uma potência séria. Tudo o que ele tem se deve aos Estados Unidos e ao fato de que os europeus e os Estados Unidos dão a esse regime etno-supremacista tudo o que ele quer para realizar genocídio e exterminar crianças palestinas.

Mas os iranianos derrotaram essa força conjunta e a coalizão que está por trás dela. Todo o Ocidente coletivo estava apoiando essa tentativa genocida de destruir o Irã.

Indiretamente, é claro, os países europeus estavam auxiliando os Estados Unidos. E, por meio das sanções de “pressão máxima” contra o Irã, fizeram o possível para enfraquecer o país e preparar o terreno para um dia como esse.

Militarmente, os americanos fracassaram. Economicamente, fracassaram. Politicamente, fracassaram. No campo da diplomacia pública, fracassaram. E, aos olhos da opinião pública global, fracassaram.

Isso não significa, contudo, que esta guerra acabou. Eu acredito que o trabalho continuará. Neste momento, estamos em estado de guerra. Eles estão impondo um cerco de fome aos iranianos para quebrar a vontade do povo iraniano.

Já vimos isso muitas vezes antes: com o povo da Síria, com o povo de Cuba, com países da Ásia Central, ou pelo menos com o Afeganistão, e em outros lugares, como o Iêmen.

A fome sempre foi uma ferramenta de escolha do império, usada contra adversários que eles querem esmagar. Eles querem destruir o tecido da sociedade. E, portanto, estão empregando essa arma.

Acredita-se que, provavelmente nos próximos dias, haverá outro ataque militar ao país. Um grande ataque é bastante possível nos próximos dias. Mas está claro que esta é uma grande vitória para o Sul Global. Ela mostrou a força da República Islâmica do Irã na defesa de sua soberania, mas também na defesa do povo palestino e do povo libanês.

Afinal, é por isso que o Irã é alvo. O Irã é alvo do império porque se opõe ao genocídio, porque se opõe à limpeza étnica. E, como o Irã tem uma política externa completamente independente, isso é algo que o império quer erradicar. Quer se livrar disso.

Depois da revolução, um dos principais objetivos do Irã foi apoiar movimentos de libertação contra o império. O Irã apoiou a resistência no sul da África contra o apartheid. Quando Nelson Mandela foi libertado da prisão, um dos primeiros lugares que visitou foi o Irã, para agradecer ao país.

E o Irã apoia Cuba porque ela está sendo esmagada sob as botas do império. É claro que, no momento, por causa da guerra, o Irã não é capaz de fornecer o tipo de ajuda e assistência que poderia oferecer antes. Mas o Irã apoia qualquer nação que esteja sendo esmagada sob as botas do império.

Portanto, esta não é apenas uma vitória do Irã. É uma vitória de todo o Sul Global. E espero que, no futuro, isso permita que países ao redor do mundo sejam mais assertivos na defesa de seus direitos e impeçam que os Estados Unidos e seus aliados tomem deles aquilo que lhes pertence.

Funeral das meninas mortas em escola em Minab

A Bloomberg tem noticiado sistematicamente sobre a inatividade da Ilha de Kharg, por onde o Irã exporta seu petróleo, e que o país estaria sob pressão e incapaz de exportar. Isso se confirma?

Bem, precisamos levar em consideração que o Ocidente coletivo — ou seja, os poderes que governam o Ocidente, a classe Epstein, a classe sionista, a oligarquia — é absolutamente implacável.

Quando eles são implacáveis com meninas no Ocidente, como revelam os arquivos Epstein, podemos imaginar o quão implacáveis são com meninas na nossa parte do mundo.

Eles começaram esta guerra assassinando 168 meninas em sua escola primária, em um ataque intencional. Foi intencional porque foi o primeiro local a ser bombardeado. E, no início de qualquer grande operação militar, os primeiros alvos são examinados com extremo cuidado.

Eu já participei de operações militares, então isso é algo que eu conheço. No primeiro dia de qualquer operação, eles têm meses para se preparar. Aquela escola estava no mapa. Estava em todos os aplicativos: aplicativos iranianos, aplicativos ocidentais. Era uma escola conhecida. Havia sido uma escola por muitos anos.

Mas aquelas crianças, muitas delas, eram filhas de oficiais militares. E, assim, os americanos queriam ensinar uma lição àqueles oficiais militares, tirando deles suas meninas.

Esse é o tipo de regime monstruoso com o qual estamos lidando. E não deveríamos nos surpreender, porque é isso que o regime dos Estados Unidos vem fazendo com o regime israelense e, por extensão, o Ocidente coletivo em Gaza há mais de dois anos e meio. Eles vêm exterminando crianças palestinas. E agora estão tentando fazer o mesmo no Líbano.

Portanto, ninguém deveria se surpreender, depois de ler os arquivos Epstein, depois de ver o que foi feito em Gaza, que os Estados Unidos fariam algo assim com meninas no Irã.

Então, sim, há grande dificuldade. Eles estão impondo sofrimento aos iranianos.

Bombardearam fábricas farmacêuticas por razões óbvias. Bombardearam hospitais. Bombardearam muitas universidades. Bombardearam muitas faculdades e destruíram muitas faculdades dentro das universidades.

Por quê? Porque querem destruir o futuro dos jovens no Irã. E, neste momento, o cerco aos portos iranianos tem o objetivo de impor fome.

Às vezes vemos senadores americanos na televisão dizendo, com certo prazer, que os iranianos não têm comida. Eles sentem prazer nisso. Essa é a doença da chamada classe Epstein.

Mas eles fracassarão. Os iranianos perseverarão, e será durante a guerra quente, quando os iranianos derrotarão esse império maligno. E hoje, enquanto falamos, os iranianos continuarão se esforçando e lutando até derrotarem a classe Epstein.

Nos próximos dias, se houver outro grande ataque, como esperamos, o Irã os derrotará novamente. Isso terá um custo. Mas acreditamos que estamos nos levantando não apenas por nós mesmos. Estamos nos levantando por todo o Sul Global.

Os iranianos são uma civilização. O Irã é um Estado civilizacional, com milhares de anos de herança. E a cultura religiosa iraniana, especialmente a cultura xiita, tem como foco particular apoiar os oprimidos, desafiar o opressor, apoiar as classes subalternas e aqueles que os déspotas do mundo esmagam sob os pés.

É por isso que o Irã tem apoiado diversos movimentos, com diferentes origens ideológicas, porque todos eles, para nós, são vítimas do império. Portanto, seja na América Latina, seja na África, seja na Ásia Ocidental, consideramos a causa deles como nossa causa.

Assim, espero que, com a vitória do Irã, independentemente do custo, isso traga alívio a outras nações que estão lutando e sendo estranguladas por esse império.

Dentro dos Estados Unidos existe um crescente consenso transpartidário de que Israel efetivamente conduz a política americana no Oriente Médio, que Netanyahu é capaz de dizer a Trump o que fazer, e que a guerra contra o Irã foi lançada sob intensa pressão israelense. É acertada essa análise?

Acho que se trata de uma coalizão de poder que existe há muito tempo. Essa coalizão é basicamente a oligarquia. É a classe Epstein. Eles não precisam necessariamente ser sionistas cristãos ou sionistas judeus, mas têm uma ideologia semelhante. E, pelo menos na nossa região, está claro que o lobby sionista e o regime israelense tomam as decisões nos Estados Unidos.

Não somos nós que estamos dizendo isso. Quem disse foi Joe Kent, indicado por Trump, chefe de contraterrorismo nos Estados Unidos, o segundo oficial de inteligência mais importante do governo americano depois de Tulsi Gabbard. Ele disse que essa guerra era desnecessária, que o Irã não era uma ameaça, que o Irã não estava buscando uma arma nuclear e que essa guerra ocorreu por causa do lobby sionista e do regime israelense.

Portanto, o lobby sionista, a oligarquia sionista, a classe Epstein e a oligarquia em geral estão acima da política nos Estados Unidos. E, como eu disse, eles não são necessariamente judeus ou cristãos.

Vemos pessoas dos regimes do Golfo Pérsico nos arquivos Epstein. Os líderes dos Emirados Árabes Unidos, a família governante, aparecem nos arquivos Epstein. Desculpe, suas elites aparecem nos arquivos Epstein.

Então, isso não se trata de uma religião específica ou de uma sociedade específica. Trata-se de uma classe dominante. E essa classe dominante não é partidária. Os partidos políticos estão abaixo dela. Ela controla os partidos políticos. Nos Estados Unidos, controla tanto os democratas quanto os republicanos.

Agora, os Estados Unidos estão mudando. E isso é algo a que você aludiu parcialmente. A juventude se voltou contra o regime israelense. Como você disse, sua narrativa foi demolida pela resistência: pelo Hamas, pela Jihad Islâmica Palestina, por Ansarullah, pelo Hezbollah.

Provavelmente o mais heroico de todos é o Hezbollah, que fez tantos sacrifícios por outro povo, nem sequer por seu próprio povo. Eles foram massacrados. Suas comunidades foram massacradas no Líbano porque o Hezbollah tentou deslocar forças sionistas de Gaza, para poupar as crianças de Gaza.

Isso, penso eu, é um heroísmo que será lembrado na história acima de quase tudo. E hoje a resistência no Líbano, assim como no Irã, tem sido corajosa e vitoriosa, apesar das dificuldades, apesar de estar cercada por proxies do ISIS e da Al-Qaeda dos Estados Unidos na Síria, por fantoches instalados pelos Estados Unidos em Beirute, pela OTAN através do Mediterrâneo e, claro, pelo regime sionista ao sul.

Mas penso que o mais importante hoje é esse despertar nos Estados Unidos entre as pessoas comuns. E isso é algo que a oligarquia, o lobby sionista, deveria temer muito.

Porque as pessoas não estão apenas despertando para o fato de que esse é um regime genocida e uma ideologia genocida que vai além da Palestina, já que eles são um lobby poderoso nos Estados Unidos. As pessoas também estão percebendo que isso sacrifica o bem-estar do povo americano e de povos ao redor do mundo.

Em outras palavras, hoje, ao redor do mundo, as pessoas se perguntam: por que temos de pagar o preço pelo sionismo? Por que Netanyahu? Por que Trump? Por que essas pessoas estão impondo sofrimento econômico ao mundo inteiro por meio de sua guerra? Por que estão sacrificando todos nós por um regime genocida?

Portanto, não apenas a narrativa foi destruída, mas também os próprios fundamentos do poder da oligarquia que governa os Estados Unidos — sejam aqueles que controlam a indústria da inteligência artificial, sejam outros que controlam a economia americana em outros aspectos — estão sendo questionados por pessoas comuns.

Assim, acredito que esta guerra não é apenas uma guerra de libertação para o Sul Global. É também uma guerra na qual pessoas comuns no Ocidente estão sendo ainda mais despertadas, graças ao esforço combinado do Hezbollah, da resistência na Palestina e da resistência em toda a Ásia Ocidental. E, claro, do eixo de resistência liderado pela República Islâmica do Irã.

Sabemos que Trump foi recentemente à China pedir que ela pressionasse o Irã a aceitar o plano de paz americano, uma espécie de plano de capitulação. Em troca, os Estados Unidos deixariam terminar o bloqueio do Estreito de Ormuz e retirariam o auxílio a Taiwan, uma das questões mais sensíveis de segurança nacional da China. Qual tem sido a posição real da China em relação ao Irã?

Acho que o mais importante é que o Irã mostrou que é independente e resiliente. E a resistência do povo iraniano é extraordinária.

Isso, por si só, aliás, mostra que todas as narrativas do Ocidente sobre o Irã que ouvimos por décadas são absurdas: que o Irã é um regime atrasado, como gostam de dizer; que é impopular; que não é respeitado pelo povo; que é uma ditadura; que é corrupto.

Se isso é verdade, então por que esse regime corrupto, quebrado, falido, que está desmoronando — como ouvimos há décadas — é, ao mesmo tempo, paradoxalmente, uma ameaça ao mundo? Como é que ele foi tão eficaz em derrotar a superpotência junto com sua ampla coalizão?

Isso mostra que a República Islâmica do Irã, ao contrário da narrativa produzida pelo Ocidente, possui alto grau de legitimidade pública e alto grau de competência.

Levou uma semana para o Irã escolher um novo líder por causa das circunstâncias, porque os americanos e israelenses queriam bombardear os membros do órgão eleito responsável por escolher o líder. Então, durante aquela semana, as Forças Armadas tiveram um desempenho magnífico, e o povo protegeu as ruas.

Não havia enormes filas de carros em postos de gasolina. As pessoas não estavam correndo para os supermercados, comprando toda a comida que encontrassem. Não tivemos nada disso. As coisas estavam normais no Irã. As pessoas estavam confiantes no futuro.

Muitos de nossos amigos no exterior estavam preocupados. Pensavam que o Irã poderia colapsar.

E muitos governos, como os governos russo e chinês, não esperavam que o Irã fosse tão vitorioso, embora nós tivéssemos certeza de que derrotaríamos esse inimigo. Estamos confiantes em nossas capacidades e temos fé no caminho que tomamos. Estamos do lado certo da história.

Independentemente de como nos retratem, de como nos demonizem, de como digam que somos maus, de como digam que espancamos crianças, matamos mulheres, assassinamos manifestantes pacíficos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Foto: Reuters

Ironicamente, é claro, os “vilões”, ou seja, os iranianos e o eixo de resistência, são os únicos que se levantam contra o genocídio. E os “mocinhos”, que dizem que fazemos todas essas coisas malignas, são os que apoiam o genocídio.

Mas as pessoas enxergam através de 47 anos de propaganda ocidental. Estávamos confiantes em nossa posição. Estávamos do lado certo da história. Estamos sendo punidos por nos opormos ao genocídio. Estamos sendo punidos por nos opormos à limpeza étnica. Estamos sendo demonizados por sermos contra o extermínio de crianças palestinas. E não recuaremos de nossa posição.

Continuaremos a nos levantar contra o etno-supremacismo e contra qualquer ideia de raça superior, etnia superior ou grupo superior, seja a classe Epstein, seja a classe sionista.

Portanto, antes de tudo, o poder do eixo de resistência no Irã vem de dentro. O Irã venceu esta guerra sozinho, embora tenha amigos e não esteja isolado.

Mas foi depois desta guerra, ou pelo menos depois das primeiras semanas da guerra, que chineses, russos e outros começaram a ver o Irã sob uma luz diferente. Eles ficaram surpresos, mas agradavelmente surpresos.

Agora, em sua fraqueza, Trump foi à China na esperança de conseguir algo dos chineses. Mas os chineses sabem que os Estados Unidos não têm boas intenções em relação à China. Também sabem que, se apoiassem os Estados Unidos de qualquer forma, estariam enfraquecendo a si mesmos.

Além disso, os chineses reconheceram que o povo iraniano não merecia ser atacado dessa forma. Esta guerra foi completamente não provocada.

Quando Trump voltou de Pequim, foi novamente humilhado, porque não obteve nada. Na verdade, não obteve nada em nenhum nível e sobre nenhum assunto.

Ele não obteve nada. É por isso que acreditamos que ele retomará a guerra, porque o regime israelense quer guerra. O lobby sionista nos Estados Unidos quer que a guerra continue.

Portanto, estamos nos preparando 24 horas por dia para a guerra e esperamos que ela ocorra em um futuro não muito distante.

Claro, ninguém sabe se haverá guerra, mas o regime sionista exige sangue. Quer que mais iranianos sejam massacrados. E isso, naturalmente, levará ao colapso econômico global.

O regime sionista vem sacrificando a economia global há dois meses e meio. E, se a guerra recomeçar, acredito que a situação se tornará muito pior do que vemos hoje.

Na verdade, acredito que as pessoas realmente não sabem o quão ruins as coisas estão ficando. Neste momento, a alta dos preços é apenas um sintoma. É como a febre de alguém que pensamos que talvez, depois de um ou dois dias, vá passar. Mas o problema real é muito mais profundo.

Se houver guerra, então ficará ainda muito pior do que está.

O extraordinário sobre Trump e os Estados Unidos é que o lobby sionista que domina os Estados Unidos está disposto a sacrificar o povo americano e a economia global pelo sionismo.

Vimos isso duas vezes nos últimos dias, quando Trump disse que não se importa com o bem-estar econômico do povo americano. A prioridade dele é derrotar o Irã.

O que você pode nos dizer sobre a ajuda militar da Rússia e da China ao Irã?

Irã e Rússia vêm cooperando militarmente há bastante tempo. O Irã apoiou a Rússia nos últimos anos contra a guerra por procuração da OTAN.

Como sabemos, o Irã forneceu à Rússia tecnologia de drones e capacidades de drones que foram cruciais. Os russos também cooperam com o Irã.

Aquilo de que os iranianos precisam no exterior, e que os russos têm, os iranianos compram. O mesmo é verdade em relação à China. Mas, de forma esmagadora, a capacidade militar do Irã é indígena, e a tecnologia iraniana é esmagadoramente indígena. Essa é uma das razões pelas quais tem sido tão eficaz.

Na cultura iraniana, especialmente na cultura xiita, apoia-se o oprimido e enfrenta-se o opressor. Isso é algo que se aprende muito a partir dos eventos de Karbala e do dia de Ashura, envolvendo o neto do Profeta. Esse elemento é muito forte na cultura iraniana.

Há alguns bons livros sobre o Irã escritos por especialistas ocidentais. Um deles se chama Going to Tehran, de Flint e Hillary Leverett, ambos ex-funcionários da Casa Branca. Outro é Resistance, de Alastair Crooke, ex-funcionário do governo britânico. Há também A Dangerous Delusion, de Peter Oborne, sobre o programa nuclear iraniano.

O ponto é que essa resiliência, esse senso de resistência, é algo cultural e religioso no Irã. Também, ao contrário do que ouvimos no Ocidente sobre o Irã, o papel das mulheres na cultura iraniana é sempre proeminente.

Antes da revolução, a maioria dos iranianos não era alfabetizada. Isso foi há menos de 50 anos. E as mulheres, em particular, tinham taxas de alfabetização muito inferiores a 50%. Depois da revolução, durante a guerra contra Saddam Hussein, tivemos um movimento nacional pela educação universal. Em menos de duas décadas, quase alcançamos a educação universal, mesmo sob guerra.

Portanto, a ciência é particularmente importante na sociedade iraniana. E, por isso, no campo militar, a inteligência artificial e os produtos de alta tecnologia são em sua maioria indígenas.

Temos amigos. Não estamos isolados, ao contrário do que o Ocidente gosta de fazer as pessoas acreditarem. Mas, no fim das contas, estamos por nossa conta. Somos independentes, tomamos nossas próprias decisões e não fazemos parte de nenhum bloco ou aliança.

O objetivo mais importante do Irã é derrotar o império.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/academico-iraniano-revela-real-participacao-da-china-em-favor-do-ira-por-sara-vivacqua/