Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, hoje em lados opostos na crise do caso Banco Master, já escreveram juntos um livro em homenagem a Dias Toffoli, em 2019. A colaboração expõe uma fase de convivência cordial entre os integrantes do Supremo Tribunal Federal antes do embate que passou a envolver a condução da investigação. Com informações de poder360.com.br.
A relação entre Mendonça e Moraes se deteriorou ao longo dos últimos anos, especialmente por divergências sobre os ataques golpistas de 8 de Janeiro. Mendonça levantou hipóteses de falhas ou facilitação por parte do governo Lula na contenção dos ataques, posição que provocou reações de Moraes.
Toffoli, por sua vez, mantinha uma relação mais próxima com Mendonça. Quando Jair Bolsonaro considerou retirar a indicação do então advogado-geral da União ao STF, diante de pressões para nomear Augusto Aras, Toffoli atuou para que o presidente mantivesse o nome de Mendonça.
O caso Banco Master alterou esse cenário. Toffoli era o relator original da investigação sobre suspeitas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, mas deixou a relatoria em fevereiro. Depois disso, Mendonça foi sorteado para conduzir o processo.

Relatório da PF cita posturas de Mendonça diante de colegas
Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade com base em um relatório de inteligência da Polícia Federal. O documento apócrifo não tem valor probatório e reúne uma análise preliminar de cenário sobre possível avanço do relator sobre competências do plenário e prerrogativas de integrante do Ministério Público.
O relatório apontou que Mendonça teria adotado posições diferentes diante de colegas citados na investigação: interesse na abertura de apuração formal contra Moraes, contemporização em relação a Toffoli e postura defensiva sobre Kassio Nunes Marques. Sobre Toffoli, o texto afirma haver “contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF”.
Ao abordar Nunes Marques, o analista escreveu que Mendonça teria sugerido à Polícia Federal atenção a eventuais acusações divulgadas pela imprensa contra o ministro, por considerar que poderiam buscar enfraquecê-lo. O próprio responsável pelo relatório classificou como baixo o grau de confiança dessa avaliação e advertiu: “Hipótese sob observação não é conclusão e não deve ser referida como tal fora deste documento”.
O presidente do STF, Edson Fachin, pediu manifestações das partes e assumiu os dois procedimentos: o relatório produzido por ordem de Mendonça sobre mensagens de Vorcaro a Moraes e o pedido de Moraes para investigar Mendonça. “Esta presidência seguirá a legislação e a Constituição. Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, afirmou Fachin nesta sexta-feira (04).
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/acredite-se-quiser-mendonca-e-moraes-ja-escreveram-juntos-livro-para-homenager-toffoli/

