Adidas enfrenta boicote por campanha com soldado israelense

Shaliv Biton em material publicitário da Adidas. Foto: Reprodução

A Adidas passou a enfrentar pedidos de boicote após incluir o soldado israelense Shaliv Biton em uma campanha global de calçados. Organizações e ativistas pró-Palestina criticaram a empresa alemã pela escolha do atleta, que participou de uma ofensiva israelense em Gaza em 2021.

A campanha chegou a lojas da Adidas, inclusive em pontos de venda nos territórios ocupados. A ofensiva de 2021 da qual Biton participou matou mais de 200 palestinos e destruiu diversos edifícios, segundo a Press TV.

Críticos também recuperaram publicações de Biton nas redes sociais. O soldado compartilhou fotos e vídeos seus e de outras tropas israelenses em Gaza, incluindo cenas de militares cantando e dançando, além de imagens em que porta armas.

A jornalista esportiva Leyla Hamed contestou o uso da amputação de uma perna de Biton como elemento da publicidade. “Gaza tem a maior taxa per capita de crianças amputadas do mundo”, escreveu ela no X, ao relacionar a campanha à situação de palestinos feridos pelos ataques israelenses.

Shalev Biton, veterano da IDF em campanha da Adidas. Foto: reprodução

Críticas citam amputações e falta de atendimento em Gaza

Hamed afirmou que mais de 5 mil amputações traumáticas de membros foram estimadas em Gaza desde outubro de 2023. Para ela, a Adidas deveria considerar esse cenário antes de escolher Biton como modelo da campanha.

O comentarista político e ativista americano Guy Christensen também condenou a iniciativa. “Na verdade, é nojento quando você conhece crianças em Gaza que talvez nunca mais possam andar”, escreveu, antes de convocar o boicote à marca.

Outro ativista afirmou que a empresa ignorou o número de crianças palestinas amputadas ao promover os chamados tênis para um pé. Nas redes, as críticas associaram a campanha à atuação do Exército de Israel em Gaza e cobraram uma posição da fabricante esportiva.

A ONG Humanity & Inclusion informou neste ano que entre 70% e 80% dos pacientes atendidos nos 12 hospitais ainda parcialmente operacionais em Gaza haviam perdido membros ou sofrido lesões na medula espinhal. A falta de suprimentos e o bloqueio também dificultam a reabilitação, levando profissionais de saúde a produzir próteses improvisadas enquanto pacientes aguardam equipamentos adequados.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/adidas-boicote-campanha-soldado-israelense/