Aliado de Marçal, ex-presidente do PRTB teria cometido assédio e fraude eleitoral, diz MP

Léo Avalanche, ex-presidente do PRTB. Foto: reprodução

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Leonardo Alves de Araújo, conhecido como Léo Avalanche, por violência política de gênero e fraude em eleição interna da legenda. A denúncia foi apresentada na última quinta-feira (29) e se refere a crimes supostamente cometidos entre fevereiro e abril de 2024, período em que o partido enfrentava uma disputa pelo controle interno.

De acordo com o promotor de Justiça Eleitoral Renato Kim Barbosa, Avalanche e outros seis investigados teriam articulado um esquema para fraudar a eleição interna do PRTB, realizada em 23 de fevereiro de 2024. O objetivo, segundo o Ministério Público, era assegurar a permanência do grupo no comando da sigla, que naquele ano lançou o coach e influenciador Pablo Marçal como candidato à Prefeitura de São Paulo.

A denúncia aponta que dezenas de pessoas foram recrutadas para se passar por fundadores do partido. Para isso, o grupo teria utilizado documentos falsificados, incluindo cédulas de identidade com fotos e dados de dirigentes reais, além de assinaturas previamente treinadas para enganar a fiscalização da Justiça Eleitoral. Esses documentos teriam sido apresentados para validar votos em urnas eletrônicas.

Além das fraudes eleitorais, o Ministério Público sustenta que Avalanche liderou ações para afastar a então vice-presidente nacional do partido, Rachel de Carvalho.

Segundo a acusação, ele teria praticado assédio, ameaças e constrangimentos, explorando a condição de mulher da dirigente para dificultar o exercício de suas funções. Em reuniões presenciais, teria proferido ofensas misóginas, como a frase “mulher só serve para cumprir cota”, e pressionado a dirigente a participar de esquemas de extorsão contra prefeitos e outros políticos.

A denúncia também descreve episódios de extrema gravidade, incluindo ameaças de morte. Em uma das situações, Avalanche teria orientado Rachel a se despedir de familiares, afirmando que ela seria morta após o recebimento de um código específico. Em outro momento, a vítima teria sido forçada a assinar uma renúncia digital sob intenso assédio psicológico.

Pablo Marçal e Léo Avalanche. Foto: reprodução

O processo cita ainda um suposto elo de Avalanche com o Primeiro Comando da Capital. Em um áudio gravado em fevereiro de 2024 e divulgado meses depois, ele teria afirmado manter relações com integrantes da facção.

A conversa ocorreu durante a disputa interna do partido, após o Tribunal Superior Eleitoral determinar intervenção na sigla. Questionado sobre o conteúdo, Avalanche afirmou não reconhecer a própria voz e negou qualquer vínculo com o grupo criminoso.

Para afastar adversários internos, os denunciados também teriam utilizado de forma irregular sistemas da Justiça Eleitoral. Com uso indevido de senhas, Rachel e outros filiados teriam sido registrados em outro partido, o Mobiliza, sem consentimento, o que resultou na exclusão automática do PRTB. Perícias apontaram ainda a publicação de editais com datas falsas no site da legenda.

Procurado, Avalanche disse ao portal Metrópoles que prestou depoimento à Polícia Federal em 13 de janeiro e que os fatos fazem parte de uma articulação para “usurpar” partidos políticos.

Ele defendeu a legalidade do processo interno e afirmou: “Foi a eleição mais segura do Brasil, realizada pelo TSE, dentro do TRE-DF, com a presença do Ministério Público, TSE, TRE, OAB e forte amparo policial. A votação ocorreu por urna eletrônica fornecida pelo TSE. Posso afirmar que ninguém conseguiria fraudar essa eleição”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/aliado-de-marcal-ex-presidente-do-prtb-teria-cometido-assedio-e-fraude-eleitoral-diz-mp/