O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, reagiu de forma contundente ao avanço do PSD sobre quadros tucanos e classificou a atuação do presidente da sigla, Gilberto Kassab, como “predatória”. A declaração ocorreu após a filiação de seis dos oito deputados estaduais do PSDB de São Paulo ao PSD, anunciada nesta quinta-feira (5).
Segundo Aécio, o método empregado para atrair os parlamentares foi decisivo para o tom da resposta. A negociação teria sido fechada em bloco, depois de um encontro na casa de Kassab, o que ampliou o incômodo da direção tucana e levou o dirigente a criticar publicamente a estratégia do adversário político.
“O Kassab funciona na política como aqueles fundos abutres na economia. Ataca os ativos da empresa para depois comprar na baixa”, afirmou Aécio ao Painel. A comparação foi usada para descrever, na visão do tucano, a forma como o PSD tem incorporado quadros de outros partidos nos últimos anos.
Aécio também fez questão de diferenciar os projetos políticos das duas legendas. “É preciso que ele saiba que o PSDB não está à venda. E diferentemente do seu partido, que tem inclusive quadros que eu respeito, o PSDB se prepara para apresentar um projeto para o Brasil”, disse.
Na mesma linha, o dirigente criticou o histórico do PSD em relação à oposição. Para ele, a sigla comandada por Kassab “ao longo de sua curta história, não deu um dia de serviço na oposição a nenhum governo, nem federal, nem estadual”.


O ex-governador de Minas Gerais acrescentou que o sistema partidário brasileiro precisa de mudanças. “O Brasil precisa de mais partidos programáticos e de menos legendas pragmáticas”, afirmou, ao reforçar a crítica ao que considera uma atuação excessivamente voltada à ocupação de espaços no poder.
O atrito entre PSDB e PSD não é recente. Nos últimos anos, a legenda tucana perdeu governadores, prefeitos, vereadores e parlamentares para o partido de Kassab, em um processo que reduziu significativamente o tamanho da bancada e a presença institucional do PSDB.
Entre os casos citados estão os governadores Eduardo Leite e Raquel Lyra, além de dezenas de lideranças municipais em São Paulo. Para Aécio, esse movimento não encerra o futuro do partido. “Passamos por uma lipoaspiração, mas vamos voltar ainda mais fortes e coerentes, respeitando a nossa história”, declarou.
O dirigente afirmou ainda que a reconstrução tucana não estará condicionada à distribuição de cargos. “Vamos apresentar um projeto para o Brasil, sem depender de cargos públicos, ministérios ou verbas e convênios para nos fortalecer”, concluiu.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/apos-dizimar-o-psdb-na-alesp-kassab-e-comparado-a-fundo-abutre-por-aecio/


