A votação da PEC da Blindagem foi adiada na Câmara após impasses entre partidos do Centrão e excesso de mudanças no texto. A proposta buscava resgatar dispositivo da Constituição de 1988 que condiciona a abertura de processos contra deputados e senadores à autorização parlamentar, mas líderes ampliaram as discussões para incluir investigações e quórum mínimo no Supremo Tribunal Federal.
Segundo interlocutores, as pressões partiram do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e do vice-presidente da Casa, Elmar Nascimento (União-BA). Eles teriam defendido a ampliação do alcance da PEC, gerando atrito com parte dos partidos e levando o relator, Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), a ameaçar desistir da relatoria.
A resistência veio principalmente de PSD e MDB. Baleia Rossi (MDB-SP) e Gilberto Kassab (PSD) declararam publicamente ser contrários à medida, afirmando que a proposta prejudicaria a imagem da Câmara. Apesar disso, legendas como PL, União Brasil, Progressistas, PSDB e Cidadania defenderam a votação imediata.
Sem a perspectiva de atingir os 308 votos necessários, o líder do Republicanos, Hugo Motta, decidiu não levar o texto ao plenário. Para alguns líderes, a oportunidade de votar a PEC já foi perdida, e a retomada do tema na próxima semana é incerta.
No Senado, críticas também ganharam força. Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, e Renan Calheiros (MDB-AL) se manifestaram contra. Renan classificou a proposta como um “retrocesso”, que transformaria imunidade em impunidade.
Procurado, Arthur Lira não comentou, enquanto Elmar Nascimento negou ter pressionado líderes, mas declarou apoio à inclusão da exigência de autorização parlamentar para inquéritos. Sem consenso, a PEC da Blindagem deixa de ser prioridade imediata na Câmara.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/camara-adia-votacao-da-pec-da-blindagem-apos-impasse-no-centrao/

