Cinco dos dez perfis com maior alcance sobre caso Ypê são robôs bolsonaristas; entenda

Coronel Mello Araújo, vice-prefeito de SP, e Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba, com Ypê. Foto: reprodução

Um levantamento do Projeto Brief apontou que cinco dos dez perfis com maior alcance nas publicações do X sobre o caso Ypê apresentam comportamento típico de robôs ou contas falsas. Segundo o estudo, as contas são dedicadas exclusivamente a pautas bolsonaristas e têm alto volume diário de postagens.

A análise, feita entre 29 de abril e 13 de maio e divulgada pela Folha, identificou perfis com características associadas à automação, como publicações 24 horas por dia, nomes genéricos, imagens neutras ou sem rosto e ausência de interações orgânicas fora do ecossistema da extrema-direita.

Os perfis também apresentam histórico de defesa de temas ligados ao bolsonarismo, como anistia, campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apoio a Israel. Para o Projeto Brief, a atuação dessas contas ajudou a ampliar artificialmente o debate sobre a Ypê nas redes sociais.

A pesquisa mostra que, na semana anterior ao estouro da polêmica, o termo “Ypê” acumulava apenas 2.446 menções na internet. Em poucos dias, o volume ultrapassou 600 mil. Segundo a análise, a escalada não reflete um movimento espontâneo da opinião pública.

“Quando fomos estudar os dados do caso Ypê, a primeira coisa que chamou atenção foi a diferença entre o volume de menções e o número de contas realmente envolvidas. Aquilo que parecia uma onda espontânea começou a ganhar contornos de uma operação coordenada”, afirmou Carolinne Luck, antropóloga especializada em comportamento digital e coordenadora do Projeto Brief, em nota à coluna.

De acordo com a pesquisadora, o padrão observado no episódio se repete em outras campanhas digitais de grande alcance. A dinâmica consiste em transformar um tema específico em assunto dominante nas redes, mesmo quando a quantidade real de contas envolvidas é menor do que o volume de publicações sugere.

Segundo Luck, o caso mostra como a percepção de opinião pública pode ser manipulada por mecanismos de amplificação artificial. “O que parecia opinião pública era, mais uma vez, uma ilusão algorítmica muito bem explorada. No fim, todo mundo passa a falar do detergente, enquanto temas com impacto real na vida das pessoas perdem espaço”.

O Projeto Brief afirma que a mobilização em torno da Ypê pode ter funcionado como uma “cortina de espuma”. A expressão é usada pela plataforma para definir “uma narrativa fabricada e amplificada artificialmente para deslocar o centro do debate público”.

Para Luck, a intensificação das publicações ocorreu em momento próximo à divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro, nos quais o senador aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A proximidade temporal, segundo a análise, reforça a hipótese de deslocamento do debate público.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/cinco-dos-dez-perfis-com-maior-alcance-sobre-caso-ype-sao-robos-bolsonaristas-entenda/