Com 95% das urnas apuradas, Sánchez continua com vantagem sobre Fujimori; veja os números

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori. Foto: reprodução

A disputa presidencial no Peru segue indefinida nesta terça-feira (9), com mais de 95% das urnas apuradas. O candidato de esquerda Roberto Sánchez aparece à frente da candidata de extrema-direita Keiko Fujimori por margem mínima, segundo a atualização mais recente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), divulgada às 3h28 no horário de Brasília.

Sánchez soma 50,107% dos votos, enquanto Keiko registra 49,893%. A diferença estreita mantém a eleição em aberto e prolonga a incerteza sobre quem comandará o país nos próximos cinco anos. O deputado assumiu a liderança no início da tarde de segunda-feira (8), após horas de vantagem da candidata conservadora na contagem oficial.

A virada ocorreu às 14h58, no horário de Brasília, de acordo com a apuração do órgão eleitoral. Keiko havia sido apontada como favorita nas pesquisas de boca de urna, mas já havia expectativa de crescimento de Sánchez na reta final da contagem, principalmente por causa de seu desempenho em zonas rurais, que costumam ser contabilizadas mais tarde.

Filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, Keiko terminou o primeiro turno na liderança, com 17,2% dos votos válidos. Sánchez avançou ao segundo turno com 12%, em uma eleição marcada por fragmentação política e recorde de 35 candidatos. As seções eleitorais fecharam no domingo (7), às 17h locais, 19h em Brasília, em uma jornada sem grandes incidentes.

O cenário reflete a instabilidade política peruana dos últimos anos. Lucas Berti, cientista político, pesquisador sobre o Peru no Observatório Político Sul-Americano e coordenador-executivo do Grupo de Relações Internacionais e Sul Global, avalia que a eleição é resultado da perda de confiança nas instituições.

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori durante evento pré-eleitoral. Foto: reprodução

“É um sintoma de um processo de deslegitimação institucional que vem acontecendo nos últimos anos no país. E isso, na medida em que os presidentes eleitos não conseguem governar”, afirmou ao g1.

O Peru contabilizou 9 presidentes em 10 anos, embora os mandatos presidenciais sejam de cinco anos. Nesse período, alguns líderes permaneceram poucos dias no cargo. “Nestes anos, a liderança que mais durou foi a de Dina Boluarte, que ficou no poder por quase três anos. Mas, ao desagradar a oposição liderada pela coalizão fujimorista de Keiko no Congresso, também caiu”, disse Berti.

A Constituição peruana permite a destituição de um presidente por “incapacidade moral ou física permanente”, dispositivo avaliado pelos parlamentares. Para Berti, a facilidade do processo mostra a fragilidade institucional do país e a força acumulada pela coalizão fujimorista no Congresso, nos tribunais e no sistema judiciário.

Keiko tenta chegar ao Executivo desde que fundou o Fuerza Popular, em 2008. “Keiko perdeu as últimas três eleições (2011, 2016 e 2021) no segundo turno, por margens muito apertadas. E agora nessa eleição, em 2026, passa para o segundo turno com uma margem maior de votos. Alguns institutos dão vantagem para Keiko, outros para o Sánchez. O que indica uma coisa: a eleição será difícil e o resultado ainda está em aberto”, disse Berti.

A crise também aparece na percepção da população sobre a democracia. Segundo o Latinobarómetro, 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, e apenas 10% dizem estar satisfeitos com a democracia. Para Berti, a baixa institucionalização dos partidos amplia a desconfiança do eleitor.

As eleições deste ano também marcaram a volta do sistema bicameral no Peru, com Câmara dos Deputados e Senado. O modelo havia sido encerrado em 1992, após o “autogolpe” de Alberto Fujimori. Com a mudança, a destituição de um presidente passará a depender da aprovação das duas Casas, cabendo ao Senado a decisão final.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/com-95-das-urnas-apuradas-sanchez-continua-com-vantagem-sobre-fujimori-veja-os-numeros/