Como décadas de imigração transformaram a França em potência do futebol

Jogadores da França. Foto: Getty Images

A ascensão da França ao grupo das maiores potências do futebol mundial está diretamente ligada à imigração. Nas últimas décadas, filhos e netos de famílias vindas principalmente da África passaram a ocupar papel central na formação de jogadores que abastecem tanto a seleção francesa quanto clubes de elite da Europa.

O exemplo mais conhecido é o de Kylian Mbappé, criado em Bondy, na periferia de Paris, filho de um imigrante camaronês e de uma mãe com origem argelina. Bairros populares da região parisiense concentram grande parte dessas comunidades e se transformaram em importantes centros de formação de atletas.

Em cidades como Bondy, centenas de crianças frequentam campos municipais todos os fins de semana, muitas delas vindas de famílias que chegaram à França em busca de melhores condições de vida. Desses mesmos campos saíram jogadores como William Saliba, Randal Kolo Muani e Jonathan Ikoné.

A presença de descendentes de imigrantes no futebol francês é resultado da combinação entre uma forte cultura esportiva nos bairros periféricos e um sistema nacional de identificação de talentos. Jovens observados em campos amadores são encaminhados para centros de formação como Clairefontaine, referência mundial na preparação de atletas. O modelo permitiu aumentar o acesso de crianças de origens sociais diversas ao esporte de alto rendimento.

A influência da imigração se tornou tão grande que a seleção francesa passou a refletir a diversidade demográfica do país. Em diferentes gerações, jogadores com raízes em países como Senegal, Mali, Argélia, Marrocos, Camarões, Congo e Costa do Marfim ajudaram a construir campanhas vitoriosas da equipe nacional.

Esses atletas se tornaram alvo de ataques de setores da extrema-direita, que questionam a identidade nacional da seleção e alegam falta de representatividade. Dirigentes e treinadores, no entanto, afirmam que os jogadores compartilham uma identidade francesa construída a partir de diferentes origens culturais.

Ayoub Bouaddi, que atualmente representa a seleção do Marrocos, ao serviço da seleção sub-21 de França. Foto: Reprodução

Ao mesmo tempo, a concorrência por espaço é tão grande que muitos atletas nascidos em território francês acabam optando por defender os países de origem de suas famílias. Na Copa do Mundo de 2026, diversas seleções contam com jogadores formados na França, mas que atuam internacionalmente por Senegal, Marrocos e outras nações africanas.

Há um total de 99 jogadores nascidos em território francês atuando por 12 equipes na Copa. O marroquino Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, que brilhou na estreia contra o Brasil, por exemplo, chegou a defender a seleção da França sub-21.

O goleiro Édouard Mendy e o zagueiro Kalidou Koulibaly, que estreiam nesta terça (16) contra a França jogando por Senegal, passaram por Clairefontaine na adolescência e jogaram pela seleção europeia nas categorias de base.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-decadas-de-imigracao-transformaram-a-franca-em-potencia-do-futebol/