A filósofa e escritora Djamila Ribeiro afirmou que a esquerda precisa retomar o trabalho de base para enfrentar o avanço da extrema direita no Brasil. Em entrevista ao programa “No Que Dia”, ela avaliou que grupos conservadores se organizaram, investiram em comunicação digital e ampliaram sua presença em territórios periféricos.
Djamila classificou como “assustadora” a votação obtida por figuras de direita para o Congresso Nacional e assembleias legislativas. Para ela, a força desses grupos pode dificultar a aprovação de pautas ligadas aos direitos das mulheres e de outros setores historicamente vulnerabilizados.
“Não existe vácuo na política”, disse a autora ao comentar a ocupação de espaços sociais e religiosos por lideranças de extrema direita. Ela citou a atuação nas redes sociais, a linguagem direta e a influência de igrejas evangélicas como fatores que ajudam a explicar a conexão desses grupos com parte do eleitorado.
A escritora também apontou limites da própria esquerda. “Acredito que a esquerda, quando assume o poder, deixa muito o trabalho de base”, afirmou, defendendo uma revisão das formas de comunicação e de diálogo com a população.
Djamila defende diálogo e critica simplificações sobre eleitores
Na avaliação de Djamila, a esquerda não deve tratar como “fascista” ou “burra” uma pessoa da periferia que votou em Bolsonaro. Ela defendeu que forças progressistas busquem compreender as razões do voto, inclusive a identificação de eleitores com candidatos que se apresentam como cristãos.
A autora distinguiu política de identidade de identidade política ao abordar a adesão eleitoral a lideranças de direita. Segundo ela, compreender esses vínculos exige observar fatores religiosos, sociais e comunicacionais, sem reduzir escolhas políticas a uma explicação única.
Djamila afirmou ainda que o debate sobre comunicação precisa ocupar espaço nas discussões da esquerda. Ela citou a presença de igrejas entre concessionárias de meios de comunicação e sustentou que a influência religiosa passou a ter peso crescente sobre eleitores e decisões da política institucional.
Conhecida por livros como “Lugar de fala”, “Quem tem medo do feminismo negro?” e “Pequeno manual antirracista”, Djamila também disse que a popularização de conceitos não autoriza distorções. “Lugar de fala é de onde se fala, não é o que se fala”, afirmou, ao defender a multiplicidade de vozes no debate público.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/djamila-ribeiro-criticaesquerda-extrema-direita/

