Eduardo Bolsonaro conta com vitória de Flávio e faz ameaça a embaixadores

Eduardo Bolsonaro durante entrevista em Washington. Foto: Reprodução

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro prometeu fazer uma “faxina” no Itamaraty caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição presidencial. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (30), ele afirmou ter mapeado mudanças em postos diplomáticos ocorridas no governo Lula e ameaçou servidores que considera responsáveis por sabotar a gestão de Jair Bolsonaro.

“Então, meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola”, disse Eduardo. Ele também declarou que os funcionários que não tenham participado da suposta sabotagem poderão integrar uma equipe para “resgatar a credibilidade do Itamaraty”.

No vídeo, Eduardo reproduziu um áudio atribuído a um diplomata brasileiro que oferecia ajuda da embaixada em Madri para encontrar escola para os filhos de Lulinha, que se mudou para a Espanha em 2025. “Eu não tive recepção de embaixador, de diplomata, nem nada [quando mudei para os EUA]”, afirmou o ex-deputado.

Ele disse que o dinheiro público não deveria proteger “filho do presidente” e prometeu retaliação contra o embaixador brasileiro na Espanha. Orlando Ribeiro ocupava o posto na época do áudio mencionado por Eduardo; atualmente, a embaixada é chefiada pelo ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo.

Plano prevê mudança nas carreiras do Itamaraty

Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025, quando deixou o Brasil sob a alegação de que o Supremo Tribunal Federal recolheria seu passaporte para impedir sua articulação internacional contra o julgamento do pai pela trama golpista. Ele se licenciou da Câmara por quatro meses, permaneceu no exterior após o fim do afastamento e perdeu o mandato em dezembro por excesso de faltas.

Em junho deste ano, o STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A condenação tratou da articulação dele nos Estados Unidos por medidas de pressão contra autoridades brasileiras para interferir no processo contra Jair Bolsonaro. Em setembro, ele também perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de função.

Aliados de Eduardo avaliam que ele ganharia força em um eventual governo de Flávio após atuar por medidas do governo Donald Trump contra Lula. Entre as possibilidades discutidas está o comando do Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil em Washington.

Marcos Degaut, braço direito de Eduardo na política externa, discutiu uma reestruturação inspirada no Departamento de Estado dos Estados Unidos, com diplomatas direcionados a regiões e temas específicos, metas de exportação e investimentos e mudanças nas promoções. Degaut disse a interlocutores que algumas funções poderiam ficar com pessoas de fora do Itamaraty, mas negou que o plano preveja perseguição política ou uma “caça às bruxas”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/eduardo-bolsonaro-promete-faxina-e-retaliacao-contra-diplomatas-se-flavio-vencer/