Uma testemunha ouvida pelo jornal O Globo afirmou que policiais militares obrigaram três jovens detidos por suspeita de tráfico de drogas em Piracicaba, no interior de São Paulo, a vestirem camisetas com referências ao presidente Lula. Segundo ela, os três foram retirados de uma casa na comunidade Pantanal Vitória.
A testemunha disse que ela e duas colegas, militantes do PT ligadas à deputada estadual Professora Bebel (PT), passavam pela viela usando peças com a frase “Professores e professoras da Apeoesp com Lula”. Ela afirmou ter visto os policiais retirarem os três jovens de um imóvel antes de qualquer troca de roupa.
“Estavam com a camiseta normal deles mesmo. Não lembro a cor, mas não era camiseta de partido”, relatou a mulher. Ela também disse que policiais abordaram as três militantes e exigiram que duas delas tirassem as camisetas, ordenando ainda que buscassem uma terceira peça na casa de uma delas.
O caso ganhou dimensão eleitoral após o senador eleito Guilherme Derrite (PP), aliado de Flávio Bolsonaro (PL), publicar nas redes sociais imagens dos jovens com as camisetas. O post reunia mais de 373 mil curtidas e 91 mil compartilhamentos. O PT protocolou uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e pediu investigação.
Mãe de adolescente relata agressões e troca de roupas
Edna Souza, mãe de um adolescente apreendido, disse que policiais entraram em sua casa procurando o filho e o agrediram. Ela afirmou que um agente deu um soco no peito de sua filha de 14 anos e que os policiais levaram o rapaz para outra comunidade antes de colocarem nele uma camiseta pró-Lula.
“Ele não estava com a camiseta, ele e os três meninos. E colocaram as três blusas iguais”, disse Edna. A mãe afirmou que questionou os agentes sobre a roupa e ouviu que o filho já a vestia, versão que contestou por não ter esse tipo de camiseta em casa.
Na representação à Procuradoria-Geral Eleitoral, os advogados do PT sustentam que a suposta fabricação da cena e sua divulgação buscariam associar a criminalidade ao partido e à candidatura de Lula. Professora Bebel acusou os policiais de agredir militantes para recolher as peças e classificou o episódio como uma “armação”.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a ação começou após denúncia ao 190 e que apreendeu 23 porções de cocaína com o adolescente; os dois homens, de 21 e 24 anos, estavam com um revólver e outras 137 porções da droga, segundo a pasta.
A Ouvidoria da Polícia pediu informações à Corregedoria da PM e o afastamento imediato dos policiais envolvidos, enquanto o secretário Osvaldo Nico Gonçalves afirmou que o caso “vai ser apurado, sem dúvida”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/estavam-com-camiseta-normal-testemunha-conta-como-pm-forjou-flagrante-com-roupas-pro-lula/

