Exército avalia cenários com Flávio Bolsonaro e EUA

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: Reprodução

Donald Trump está no centro das preocupações de setores da cúpula do Exército brasileiro diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Oficiais-generais avaliam que a política do governo americano para a América do Sul pode abrir espaço para uma interferência dos Estados Unidos no combate ao crime organizado no Brasil, especialmente após Washington classificar PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas,  segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL.

Para os militares brasileiros, essa classificação pode servir de base para uma ampliação da atuação americana em território nacional. Um dos cenários considerados é uma operação conjunta na fronteira, com tropas e recursos dos EUA apoiando o Brasil no combate ao narcotráfico.

Nesse caso, porém, a avaliação predominante no Exército é de que não haveria problema desde que as ações fossem coordenadas pelo comando brasileiro. O temor maior está em uma possível instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Brasil.

A hipótese é analisada à luz dos movimentos do governo Trump na América do Sul, incluindo as discussões sobre presença militar americana na Colômbia. Para oficiais-generais brasileiros, uma estrutura permanente dos EUA em território nacional poderia representar uma ameaça à soberania e alterar o equilíbrio estratégico do país.

Militares brasileiros. Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro e o papel das Forças Armadas

A eventual eleição de Flávio é considerada pelos militares porque seu discurso e seu plano de governo colocam o combate ao crime organizado entre as prioridades. Nesse cenário, o Exército prevê que poderá ser chamado a atuar na segurança pública, repetindo experiências de emprego das Forças Armadas que ocorreram nas últimas duas décadas.

O Exército não necessariamente defende colocar tropas nas ruas. O comandante Tomás Paiva é apontado como favorável a uma cooperação baseada principalmente em inteligência, equipamentos e apoio às forças de segurança. A avaliação interna é que os militares podem contribuir para enfrentar as facções sem assumir o protagonismo que cabe às polícias.

A preocupação com o narcotráfico está diretamente ligada às fronteiras brasileiras. Segundo levantamentos apresentados pelo Centro de Inteligência do Exército, centenas de toneladas de cocaína produzidas na Bolívia, Colômbia e Peru atravessam o território brasileiro todos os anos antes de seguir para outros continentes.

Para os militares, controlar uma fronteira de mais de 16 mil quilômetros exige maior integração entre as forças brasileiras e, eventualmente, cooperação internacional.

A experiência da intervenção federal no Rio de Janeiro também influencia essas avaliações. Generais consideram que a operação conseguiu reduzir temporariamente a circulação de drogas e mapear estruturas das facções, mas perdeu eficácia depois de seu encerramento.

A conclusão é que uma atuação militar isolada, sem continuidade e sem integração com outras instituições, não consegue desmontar de forma permanente as organizações criminosas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exercito-teme-avanco-militar-dos-eua-e-interferencia-de-trump-no-brasil-sob-flavio/