A Polícia Civil de São Paulo informou neste domingo (3) que a família de duas crianças, de 7 e 10 anos, vítimas de estupro coletivo em São Miguel Paulista, abandonou a comunidade onde vivia após sofrer ameaças. O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas só foi denunciado no dia 24, após a irmã de uma das vítimas identificar vídeos do abuso em redes sociais.
Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63° DP, a família sofria pressão para não registrar o caso. “As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. O que foi me passado é que eles queriam resolver lá entre eles”, afirmou. Com informações do G1.
Cinco suspeitos foram identificados, sendo quatro adolescentes e um adulto.
Até o momento, três adolescentes foram apreendidos e o adulto, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi preso na última sexta-feira (1º) em Brejões, na Bahia. Os agressores eram vizinhos e atraíram as crianças para o imóvel alegando que iriam soltar pipa. A delegada explicou que a iniciativa de gravar partiu do adulto: “Ele começou a gravar no próprio celular e depois pediu para o outro menor que gravasse”, disse. Um quarto adolescente continua foragido e os envolvidos responderão por estupro de vulnerável, divulgação de imagem e corrupção de menores.
O clima de insegurança na região forçou o deslocamento dos familiares das vítimas. “A família saiu com medo lá da comunidade. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, relatou a delegada. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que as famílias foram acolhidas em equipamentos da prefeitura com ajuda psicológica, mantendo o local em segredo por proteção. A investigação agora busca identificar quem compartilhou as imagens nas redes sociais após o envio inicial via aplicativos de mensagens.
O delegado titular do 63° DP, Júlio Geraldo, destacou a complexidade em localizar as vítimas devido à fuga inicial. “Quando a ocorrência chegou, foi por uma irmã da vítima que não disse sequer onde tinha ocorrido os fatos. Então, foi necessário reconstruir toda a situação”, afirmou. O suspeito preso na Bahia confessou a participação no crime e disse ter fugido por medo de morrer. A polícia pretende ouvir o detido assim que ele for transferido para São Paulo nesta segunda-feira (4) para esclarecer o teor das ameaças e a sequência de divulgação dos vídeos que causaram indignação na Zona Leste.

O secretário de Segurança Pública, Oswaldo Nico Gonçalves, defendeu a redução da maioridade penal ao comentar a gravidade do caso. “Eu com 45 anos de polícia não consegui ver a cena até o fim. Assim que souberam do fato, em menos de cinco dias a equipe do 63° DP conseguiu esclarecer o caso. É uma forma de rever a maioridade penal. Quatro menores e um maior fizeram isso. Uma cena terrível”, declarou. Na tarde de sexta-feira (1º), manifestantes realizaram um protesto pelas ruas do bairro pedindo justiça. O Conselho Tutelar e a rede de assistência social do município seguem acompanhando o estado de saúde das crianças atingidas.
Em nota oficial, as advogadas Nathália Vieira, Fernanda Rosa, Maria Eduarda Ferrari e Eloa Romeiro, que representam a família de uma das vítimas, garantiram o suporte jurídico integral. “A família está sendo devidamente respaldada em todos os âmbitos necessários, recebendo o suporte jurídico e acompanhamento integral diante dos fatos ocorridos. Ressaltamos que serão adotadas todas as medidas cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos, com atuação firme e contínua junto às autoridades competentes. A defesa acompanhará de perto o andamento do inquérito policial, bem como adotará as providências necessárias na futura ação penal, a fim de assegurar que a justiça seja plenamente alcançada”, informaram.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/familia-descobre-estupro-coletivo-de-criancas-por-rede-social-e-sofre-ameacas-em-sp/


