O juiz federal Zia Faruqui rejeitou nesta segunda-feira (2), em Washington, a acusação criminal contra dois ex-dirigentes do FBI e acusou o governo de Donald Trump de usar politicamente a Justiça às vésperas das eleições de meio de mandato. Os ex-funcionários eram acusados de mentir sobre sua participação em investigações envolvendo Hunter Biden, filho do ex-presidente Joe Biden. As informações são da Reuters.
Nikki Floris e Bradley Benavides ocuparam cargos de comando na área de contrainteligência do FBI e ajudaram a supervisionar uma força-tarefa voltada a combater interferências estrangeiras nas eleições americanas. A acusação sustentava que eles negaram ou minimizaram falsamente seu envolvimento em episódios relacionados a Hunter e a materiais de seu computador pessoal divulgados antes da eleição de 2020.
Faruqui concluiu que os promotores não apresentaram provas suficientes de que os dois fizeram declarações falsas de maneira consciente. Segundo o magistrado, algumas das respostas dadas ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes em 2023 não eram falsas; outras poderiam ser explicadas por falhas honestas de memória.
Ao anunciar a decisão, o juiz descreveu a investigação como apressada, marcada por “erros críticos” e por desvios dos procedimentos habituais. Ele sugeriu que integrantes do alto escalão buscaram apresentar as acusações em outubro para influenciar a votação desta terça-feira (3), que definirá o controle do Congresso.
“Não vou enterrar a cabeça na areia e fingir que não sei ler um calendário”, afirmou Faruqui durante a audiência. “Não vou me lobotomizar dessa forma.” O magistrado também classificou o caso como uma instrumentalização do aparato federal de aplicação da lei.

A origem da investigação foi examinada em audiência na semana passada. Um agente do FBI relatou que a apuração começou após um pronunciamento de Trump sobre segurança eleitoral, em julho. Na ocasião, o presidente anunciou que a agência investigaria se órgãos de inteligência haviam suprimido informações sobre interferência chinesa na eleição de 2020. No dia seguinte, o diretor do FBI, Kash Patel, determinou que o escritório de Kansas City investigasse Floris, que havia questionado um relatório sobre o assunto.
O Departamento de Justiça afirmou discordar da decisão e informou que está “avaliando todas as opções”. Em nota, um porta-voz declarou que as ações da pasta continuarão orientadas “pelos fatos, pelas provas e pela lei — não pela política”. A defesa de Floris, por sua vez, classificou o processo como uma campanha de difamação politicamente motivada para obter ganhos antes das eleições.
A rejeição da acusação nesta fase não impede uma nova tentativa dos promotores. Eles podem buscar a retomada do caso por meio de um indiciamento aprovado por um grande júri, colegiado de cidadãos que decide se há base para apresentar formalmente acusações criminais. A decisão de Faruqui, portanto, não equivale a uma absolvição definitiva após julgamento.
Na mesma segunda-feira, o governo Trump também sofreu uma derrota na Suprema Corte, que manteve a contagem de votos na Califórnia. A administração tentava impedir temporariamente a contabilização de cédulas enviadas pelo correio por mais de 20 mil eleitores cuja cidadania havia questionado.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/juiz-acusa-governo-trump-de-uso-politico-da-justica-e-derruba-caso-de-ex-dirigentes-do-fbi/

