A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou neste domingo (20) que seu governo prepara uma medida para proibir o uso de burca e niqab nas escolas e estabelecer um número máximo de estudantes estrangeiros por sala de aula. A premiê apresentou as propostas durante um encontro da ala jovem do Irmãos da Itália (FdI), seu partido, em Roma.
Meloni não informou qual será o limite de estudantes estrangeiros permitido em cada turma. Segundo dados citados pela Reuters, alunos sem cidadania italiana representam 11,6% dos matriculados nas escolas do país.
A proposta também prevê aulas obrigatórias de italiano para pais de estudantes estrangeiros que enfrentem “sérias dificuldades de integração no sistema escolar”. Meloni afirmou que estrangeiros que pretendem construir seu futuro no país devem aprender o idioma, conhecer a cultura italiana e seguir as regras locais.
Ao justificar o limite por turma, a primeira-ministra argumentou que a concentração de crianças que não dominam o italiano prejudica a integração. “Não existe que, em uma sala de aula italiana, as crianças italianas se sintam em um canto porque se tornaram minoria. Isso não pode acontecer”, declarou.
A outra parte da medida anunciada por Meloni trata das vestimentas que cobrem o rosto. A burca cobre todo o corpo e o rosto, inclusive os olhos, que ficam atrás de uma tela. O niqab também cobre o rosto, mas deixa os olhos visíveis.
Italian PM Meloni:
The proposed measure will introduce an obligation for the parents of foreign students with serious school-integration problems to learn Italian, and it will introduce a ban on the burqa and niqab at school.
In Italy, nobody, in the name of a real or supposed… pic.twitter.com/zYm54QCYBD
— Clash Report (@clashreport) September 20, 2026
“A escola deve ser frequentada com o rosto descoberto”, afirmou Meloni. Segundo ela, nenhuma tradição pode determinar que uma jovem esconda o rosto. A premiê também vinculou a proposta ao princípio de igualdade entre homens e mulheres.
A proposta anunciada neste domingo não inclui o hijab, véu que cobre cabelos e pescoço, mas mantém o rosto descoberto, segundo a AP.
Atualmente, a Itália não possui uma proibição nacional específica de burcas e niqabs. Uma legislação de 1975, no entanto, restringe o uso de capacetes ou outras peças que dificultem a identificação de uma pessoa sem motivo justificável.
Uma decisão de 2008 estabeleceu posteriormente que coberturas integrais do rosto poderiam ser usadas por razões religiosas ou culturais, desde que a pessoa mostre o rosto quando sua identificação for necessária.
O anúncio ocorre em um país onde imigração e integração permanecem temas centrais do debate político. A localização da Itália no Mediterrâneo também a coloca entre os principais pontos de chegada de migrantes à União Europeia.
A medida ainda não está em vigor. Meloni afirmou que o texto será apresentado ao Conselho de Ministros. Depois da aprovação pelo governo, a proposta terá de passar pelo Parlamento para se transformar em lei.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/meloni-quer-proibir-burca-e-limitar-estrangeiros-nas-escolas-da-italia/


