Motorista diz que freou “por pirraça” antes de matar tio de Boulos

Carlos Boulos no meio da Avenida 23 de Maio diante de um carro branco. Foto: Reprodução

O motorista Amilton Jusselino Rodrigues afirmou à Polícia Civil que freou o carro “por pirraça” antes do atropelamento que matou Carlos Boulos, tio do ministro Guilherme Boulos (PSOL). O caso ocorreu na noite de 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, no centro de São Paulo.

Segundo o depoimento, Carlos buzinava repetidamente para o veículo de Rodrigues. O motorista disse que reduziu a velocidade em uma via de trânsito rápido para provocar o outro condutor, o que causou uma batida e um desentendimento entre os dois.

Carlos desceu de sua caminhonete para confrontar Rodrigues após a colisão. Nesse momento, o motorista acelerou, atropelou a vítima e deixou o local, conforme relataram testemunhas à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

O tio de Guilherme Boulos seguiu para o hospital em estado grave e morreu em 6 de outubro, três dias depois do atropelamento. Após a morte, o ministro escreveu que o parente foi vítima de uma “violência humanamente inexplicável”.

Justiça recebe denúncia por homicídio qualificado

O juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, da 3ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Rodrigues por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. A decisão registra o trecho do depoimento em que o investigado admite ter freado “para pirraçar”.

O magistrado negou o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público. Corró entendeu que medidas cautelares bastam para garantir o andamento do processo.

Rodrigues não foi preso no momento em que prestou depoimento porque o período de flagrante já havia terminado. Na ocasião, também vigorava a regra do Código Eleitoral que impede a prisão de eleitores nos cinco dias anteriores e até 48 horas após o fim da eleição, com exceções como flagrante e sentença condenatória.

Como medidas cautelares, a Justiça determinou que Rodrigues compareça mensalmente em juízo para informar endereço e atividades, não mude de residência sem autorização e não se ausente do domicílio por mais de oito dias sem aval judicial. O juiz também suspendeu a habilitação do motorista.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/motorista-diz-que-freou-por-pirraca-antes-de-atropelar-e-matar-tio-de-boulos/