O candidato da AfD Ulrich Siegmund, de 35 anos, tenta assumir o governo da Saxônia-Anhalt depois de seu partido ficar em primeiro lugar nas eleições estaduais de domingo (6). Caso conquiste maioria absoluta, ele será o primeiro político de extrema direita a comandar um estado alemão desde o restabelecimento da democracia após a Segunda Guerra Mundial. Com informações de Estadão.
Ex-vendedor de aromatizadores de ambiente, Siegmund construiu uma base nacional nas redes sociais durante a pandemia de coronavírus. Seus vídeos no TikTok atacavam máscaras, vacinação e outras medidas sanitárias que ele classificava como “loucas”.
O político lidera a Alternativa para a Alemanha, a AfD, na Saxônia-Anhalt, estado do leste do país. A agência de inteligência interna alemã classifica o partido como “suspeito de extremismo”, definição que a legenda rejeita e atribui a motivação política.
A AfD defende deportações em massa de imigrantes e afirma que o islamismo é incompatível com a Constituição alemã. O programa apresentado pela sigla também prevê cortar recursos das emissoras públicas, proibir bandeiras do orgulho gay nas escolas, ampliar o ensino de russo, criar incentivos fiscais para famílias numerosas e oferecer creches gratuitas.

Trajetória de Siegmund passou por partido conservador e viralização no TikTok
Nascido em 1990, poucas semanas após a reunificação alemã, Siegmund cresceu em Tangermünde, cidade de cerca de 10 mil habitantes no leste do país. Antes de abrir uma empresa em Berlim para vender aromatizadores, trabalhou como gerente de contas em uma companhia de serviços de saúde.
Ele começou a vida partidária na União Democrata Cristã, legenda conservadora que integra o governo nacional de coalizão. Em entrevistas anteriores, afirmou que deixou o partido por se incomodar com a rigidez de suas estruturas de comando e se filiou à AfD em 2014.
Dois anos depois, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa estadual, quando a AfD recebeu 24% dos votos na Saxônia-Anhalt. A campanha ocorreu após a Alemanha acolher cerca de 1 milhão de refugiados durante a crise migratória europeia, tema explorado pela legenda em seu discurso anti-imigração.
Siegmund soma mais de 850 mil seguidores no TikTok, número incomum entre políticos alemães. Em eventos eleitorais, ele costuma gravar o público com o celular e virar a câmera para as multidões, produzindo vídeos destinados principalmente à circulação na internet, segundo a professora Paula Diehl, da Universidade de Kiel.
Em entrevista ao The New York Times neste ano, o candidato resumiu sua proposta de campanha: “Posso oferecer motivação, criar um sentimento de otimismo e fazer com que as coisas voltem a avançar”. O sociólogo Steffen Mau, da Universidade Humboldt de Berlim, avaliou que Siegmund funciona como “uma tela na qual as pessoas podem projetar algum tipo de promessa para o futuro”.
Críticos apontam que a retórica otimista suaviza propostas de linha dura. Questionado sobre a imigração, Siegmund disse não culpar pessoas que chegam à Alemanha, mas prometeu tornar a vida delas em seu estado “muito desconfortável”.
Em entrevista ao site Politico, ele também afirmou não poder “presumir julgar” se o Holocausto foi o pior crime da humanidade, sob o argumento de que não compreenderia toda a história humana. Siegmund se recusou ainda a condenar apoiadores que adaptaram seu sobrenome ao estilo da saudação nazista “Sieg Heil”.
A equipe de campanha do candidato inclui uma produtora liderada por um ativista do movimento Identitários, grupo que os serviços de inteligência alemães acusam de extremismo. Seu porta-voz integrou um grupo extremista proibido inspirado na Juventude Hitlerista; Siegmund não respondeu a pedidos de comentário sobre essas ligações e, em entrevistas a outros veículos, minimizou sua relevância.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/negacionista-xenofobo-e-astro-do-tiktok-quem-e-o-novo-lider-da-extrema-direita-alema/

