“Obsessão” consegue algo raro: é um filme de terror realmente assustador, engraçado e criativo ao mesmo tempo. O longa supera facilmente “O Drama”, com Zendaya e Robert Pattinson, ao trocar polêmica vazia por horror genuíno — e deixa “O Devorador de Estrelas” para trás na corrida pelos grandes filmes do ano.
Dirigido pelo comediante e cineasta Curry Barker, “Obsessão” funciona como uma história de “possessão”: um homem faz um desejo sobrenatural para que sua paixão o ame mais do que qualquer pessoa do mundo — e desencadeia consequências catastróficas.
A premissa parece simples, mas a execução é cruelmente eficiente.
Os “sustos” do filme estão entre os mais eficazes do terror recente. Muito disso vem da experiência de Barker com humor de esquetes no duo “that’s a bad idea”, conhecido no TikTok por vídeos absurdos e desconfortavelmente engraçados.
O DNA dessa comédia aparece o tempo inteiro em “Obsessão”. Existe, por exemplo, uma loja sobrenatural comandada por funcionários que parecem caricaturas de millennials usando AirPods.
Barker transporta para o terror o mesmo domínio de tempo cômico e quebra de expectativa que usava nas esquetes. E talvez “sustos” nem seja a palavra perfeita: o diretor raramente depende do truque tradicional de corte brusco acompanhado por um estrondo sonoro. Em vez disso, constrói revelações aterrorizantes no momento exato.
O maior trunfo de “Obsessão” é a subversão. Custou apenas US$ 750 mil, uma ninharia para os padrões de Hollywood. Não teve Vorcaro pagando a conta. Barker pega situações aparentemente comuns e as distorce repetidamente até transformá-las em algo grotesco. O medo cresce, explode em humor e, logo depois, o filme entrega outra revelação devastadora.
“Obsessão” mergulha seus personagens em algo realmente perturbador.
A vilã Nikki, interpretada por Inde Navarrette, provoca reações completamente diferentes no público: medo, riso, pena e desconforto. A atuação é descrita como digna de premiações. Navarrette consegue escapar da tendência recente do terror dos anos 2020, em que muitos vilões funcionam apenas como alegorias intelectuais.
Enquanto parte da crítica insiste no chamado “terror para pensar”, “Obsessão” parece interessado em cumprir a função essencial do gênero: assustar. E rir.
O roteiro evita cair no clichê da “namorada psicótica obcecada” e, na metade da trama, vira completamente o jogo, mudando a percepção do espectador sobre todos os personagens.
Barker também parece “roubar” — no melhor sentido possível — ideias de grandes mestres do terror contemporâneo. Há uma cena de quarto tão assustadora que provoca risadas nervosas, claramente inspirada nos momentos mais perturbadores de “Jogo Perigoso”, de Mike Flanagan, misturados ao clima fantasmagórico de Pulse. Outra sequência envolvendo uma lembrança macabra parece dialogar diretamente com Amnésia, de Christopher Nolan.
Até agora, é o melhor filme de 2026 — e um dos raros casos em que a recomendação é simples: correr para o cinema.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/obsessao-e-o-melhor-filme-de-2026-ate-agora-corra-para-o-cinema/


