Entre 2 mil e 4 mil moradores de Oleshky, cidade ucraniana ocupada pela Rússia na região de Kherson, enfrentam escassez de comida, medicamentos, água e eletricidade, enquanto rotas de saída permanecem sob risco de minas, drones e artilharia. Antes da guerra, o município tinha cerca de 24 mil habitantes.
A última entrega de alimentos considerada bem-sucedida ocorreu em 26 de maio, informou o jornal alemão Bild. Desde então, moradores teriam recorrido a alimentos improvisados e à busca por comida em porões destruídos, após o bloqueio das vias de acesso à cidade.
A 34ª Brigada de Fuzileiros Navais da Ucrânia divulgou um vídeo na última semana para denunciar a situação e pedir atenção internacional. No verão europeu, famílias ainda conseguiram complementar a alimentação com produtos de hortas, mas a chegada do outono amplia o temor de fome.
Oleshky fica na margem leste do rio Dnipro, a cerca de quatro quilômetros de Kherson, cidade retomada pelas forças ucranianas em novembro de 2022. A área ocupada pelas tropas russas também serve de base para ataques contra posições ucranianas do outro lado do rio.
Please watch and listen to this short and powerful video by @34obrmp the 34th Separate Marine Brigade.
Hear the echoes of life that is no more.
Yet, Oleshky is hardly a ghost town.
It is inhabited. It is occupied. It is starving.
Thousands of civilians need our help. pic.twitter.com/wRZdTehkxT
— Zarina Zabrisky 🇺🇸🇺🇦 (@ZarinaZabrisky) September 12, 2026
Hospital sem suprimentos e corpos sem enterro regular
Relatos reunidos pelo Bild e pelo site britânico Daily Mail indicam que mortos deixaram de receber enterros regulares em Oleshky. O necrotério local sofreu bombardeios, e corpos teriam permanecido em ruas e porões; testemunhas disseram que cães devoraram alguns cadáveres.
O hospital da cidade enfrenta falta de suprimentos médicos, água encanada e fornecimento regular de energia. Apenas quatro médicos idosos, antigos integrantes da equipe, seguiriam trabalhando na unidade e conseguiriam realizar somente procedimentos emergenciais.
Desde a destruição da barragem de Kakhovka, em 2023, o hospital depende de geradores para manter a eletricidade. O combustível também se tornou escasso, e ambulâncias deixaram de circular por causa dos ataques de drones, segundo os relatos.
Alguns moradores tentam fugir a pé pela rota até o vilarejo de Radensk, em um trajeto de cinco a seis horas por estradas minadas. Stefan Vorontsov, coordenador da organização Humanity, afirmou que a saída de civis em veículos se tornou inviável; após chegar ao vilarejo, os sobreviventes podem receber ajuda de voluntários.
Autoridades ucranianas prepararam uma operação de evacuação e uma lista de civis que precisam sair da cidade. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha sinalizou disposição para participar, mas Dmytro Lubinets, comissário de Direitos Humanos do Parlamento da Ucrânia, declarou em 12 de agosto que a Rússia continuava impedindo a saída da população de Oleshky e dos assentamentos vizinhos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/oleshky-fome-isolamento-ocupacao-russa-ucrania/


