El Salvador retirou o status de moeda oficial do bitcoin, tornou voluntária sua aceitação e não tirou do papel a prometida Bitcoin City, cinco anos depois de o presidente Nayib Bukele apresentar a criptomoeda como caminho para a “prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira” do país. Com informações de g1.
A Assembleia Legislativa, controlada pelo partido Novas Ideias, aprovou em junho de 2021 a lei que colocou o bitcoin ao lado do dólar. O governo criou um fundo de US$ 150 milhões, ofereceu US$ 30 a quem baixasse a carteira digital estatal Chivo e destinou mais US$ 50 milhões à instalação de caixas eletrônicos e à estrutura do programa.
A adesão popular ficou abaixo das expectativas desde o início. Nove meses após a implementação, 71% dos entrevistados pelo Instituto Universitário de Opinião Pública disseram que a medida não havia trazido “nenhum benefício para a economia familiar”, enquanto um estudo de 2022 constatou que muitos usuários abandonaram a Chivo depois de gastar o bônus estatal.
Em janeiro de 2025, nova pesquisa do instituto apontou que 91,8% dos salvadorenhos não usaram bitcoin no ano anterior; entre eles, 76,2% afirmaram nunca ter utilizado a criptomoeda. Bukele reconheceu à revista Time, em 2024, que o bitcoin “não teve a adesão que esperávamos”.

FMI condicionou empréstimo à redução dos riscos do bitcoin
O governo fechou em dezembro de 2024 um financiamento de US$ 1,4 bilhão com o Fundo Monetário Internacional, sob a condição de reduzir os riscos ligados ao bitcoin. No mês seguinte, o Congresso alterou seis artigos da Lei do Bitcoin e revogou outros três, encerrando o curso legal da criptomoeda e restringindo seu uso a transações voluntárias entre cidadãos e empresas privadas.
As promessas mais ambiciosas do plano também ficaram paradas. Os “títulos vulcão”, que captariam recursos em bitcoin para comprar mais criptomoedas e financiar a Bitcoin City, ainda não foram emitidos. A cidade planejada para usar energia geotérmica do vulcão Conchagua na mineração de bitcoin não avançou.
As remessas por carteiras digitais de criptomoedas somaram US$ 23,1 milhões entre janeiro e abril de 2026, alta de 44,3% sobre igual período do ano anterior. O valor, porém, respondeu por apenas 0,7% dos US$ 3,286 bilhões enviados por salvadorenhos do exterior no intervalo, segundo o Banco Central de Reserva.
Em setembro, o governo transferiu a participação majoritária e o controle da Chivo para a empresa Linguard Labs, mantendo o Estado como acionista. O FMI afirmou que as compras mais recentes de bitcoin vieram de “doações privadas, sem uso de recursos públicos” e que não estão previstas novas aquisições além das doações documentadas; não foram divulgados os doadores nem os valores envolvidos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-bukele-recuou-na-aposta-no-bitcoin-em-el-salvador/

