Quatro das maiores beneficiárias do Master têm indícios de serem empresas de fachada

Fachada da Zero Burocracia, na av. Sapopemba, zona leste de São Paulo. Seus dados aparecem no cadastro da Ouro Negro – Foto: Reprodução

Quatro das dez empresas que mais receberam pagamentos do Banco Master entre 2022 e 2025 apresentam sinais de serem empresas de fachada ou possuem informações inconsistentes em cadastros da Receita Federal. O levantamento foi feito a partir de dados enviados pelo fisco à CPI do Crime Organizado. Com informações da Folha de S.Paulo.

As dez companhias somam R$ 1,2 bilhão em pagamentos registrados pelo banco como serviços prestados. Entre as empresas citadas estão Midias Promotora, Telure, Metanoein e Nanook, que aparecem no grupo com indícios cadastrais ou societários considerados inconsistentes no levantamento.

Outras cinco empresas listadas têm algum tipo de ligação direta com integrantes da cúpula do Banco Master. O grupo inclui Ouro Negro, MSG, MDSV, Terra Firme e uma filial da própria Terra Firme, com outro CNPJ.

A única companhia fora desses dois padrões é o escritório Barci de Moraes, da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Procurada em 28 de abril, a assessoria de imprensa do Master informou que não comentaria o assunto.

Fachada de prédio na rua Antônio de Andrade, em São Caetano do Sul (SP), apontado em cadastro como sede da Telure Participações S.A. – Foto: Reprodução

A Ouro Negro aparece no topo do ranking, com quase R$ 220 milhões recebidos. A empresa tem como diretor David Lopes Monteiro, irmão de Daniel Lopes Monteiro, advogado preso na operação Compliance Zero e apontado como operador jurídico-financeiro da estrutura do Master.

Em segundo lugar está a Terra Firme da Bahia LTDA, de Augusto Lima, ex-sócio do Master, com quase R$ 186 milhões. A empresa também aparece em décimo lugar por meio de uma filial com outro CNPJ, que recebeu R$ 73,6 milhões.

A Midias Promotora ocupa a terceira posição, com mais de R$ 126 milhões. A empresa tem como sócio-administrador Gilson Bahia Vasconcelos, beneficiário do auxílio emergencial na pandemia e réu em processo por golpe de um call center contra aposentados do INSS. O advogado dele negou participação no caso do call center e afirmou que as movimentações financeiras da empresa são legais.

Também aparecem no ranking Telure, MSG, Metanoein, MDSV, Nanook e Barci de Moraes. Telure e Nanook têm a mesma diretora, Fabia Franca, beneficiária de auxílio emergencial, além dos mesmos contatos registrados no CNPJ. A MDSV, ligada ao ex-sócio do banco Maurício Quadrado e sua mulher, Denise, negou ter recebido R$ 100 milhões e afirmou que prestou serviços de assessoria e consultoria financeira.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quatro-das-maiores-beneficiarias-do-master-tem-indicios-de-serem-empresas-de-fachada/