Relatório aponta abusos na Megaoperação Contenção

Mulher é atingida por arma de eletrochoque durante abordagem policial no Complexo do Alemão. Foto: Reprodução

Um relatório da Defensoria Pública do Rio de Janeiro apontou agressões contra moradores, ameaças a detidos e falhas no uso de câmeras corporais durante a Megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, em 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos e se tornou a mais letal da história do país. Com informações de g1.

O documento descreve mototaxistas que receberam tapas e chutes, um motociclista sufocado com uma peça de roupa e mulheres atingidas por armas de eletrochoque ao descerem de um ônibus. Em um supermercado, policiais lançaram gás lacrimogêneo contra mulheres e crianças; as gravações mostram funcionários passando mal e agentes rindo da situação.

As imagens também registraram a abordagem de uma trabalhadora da saúde, que, segundo o relatório, recebeu eletrochoque e gás no rosto após admitir que havia respondido a mensagens sobre o policiamento. Ela foi liberada em seguida. Em outro caso, um idoso que filmava uma abordagem foi obrigado a apagar o vídeo sob ameaças de policiais.

Defensoria encontrou falhas e obstruções em câmeras corporais

A 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e o Projeto Mirante analisaram 10.202 arquivos de vídeo associados a 529 policiais militares. Nenhuma gravação entregue registrou os momentos das mortes na operação, o que impede a reconstrução da dinâmica dos óbitos e a apuração individual das condutas.

O relatório identificou câmeras retiradas dos uniformes, direcionadas para paredes e tetos ou cobertas com as mãos. Também encontrou ao menos duas câmeras vinculadas ao mesmo registro funcional, gravando simultaneamente em locais diferentes, além da ausência de vídeos de 69 policiais e de 50 arquivos sem código de integridade.

Um dos episódios analisados envolve um homem detido por policiais do Batalhão de Polícia de Choque, no Complexo da Penha. As gravações mostram o homem imobilizado no chão, com um policial pressionando sua cabeça com o pé, enquanto um sargento ordena que ele seja levado a um beco e diz: “Vamos matar essa p*rra!”.

Segundo o documento, os agentes ameaçaram o detido, bateram em seu rosto, colocaram um pano ensanguentado sobre sua cabeça e exigiram informações sobre um fuzil. O homem ficou cerca de 17 minutos sem aparecer nas imagens, e a arma citada pelos policiais só surge depois desse intervalo, sem que os vídeos mostrem o momento em que ela teria sido localizada.

Entre as unidades da PM com dados disponíveis, o Bope disparou 11.995 das 13.851 munições contabilizadas, ou 86,6% do total. Dos 50 policiais do batalhão que mais atiraram, apenas oito usavam câmeras, e só gravações de dois deles foram disponibilizadas; ambas terminam antes da chegada aos complexos.

A Polícia Federal concluiu a análise das imagens de câmeras usadas por agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais, da Polícia Civil, mas devolveu os vídeos da PM para que a corporação indique trechos de interesse pericial. A Defensoria enviou o relatório ao Ministério Público do Rio, às corregedorias das polícias, à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério da Justiça; a PM não respondeu aos questionamentos sobre as denúncias até a última atualização.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/relatorio-abusos-cameras-megaoperacao-contencao-rio/