Sakamoto: Após assar Messias, Pizzaria do Master viu aliado dos Bolsonaro ser fatiado

Senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Pedro França/Agência Senado

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

O forno que assou Jorge Messias ainda está quente, mas desta vez, quem entrou nele foi um dos pizzaiolos, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, arquiteto de bastidor, sobrevivente profissional de tempestades. A Polícia Federal bateu à porta de seus endereços em Brasília e no Piauí numa quinta de manhã cedo. O delivery, precisamos reconhecer, já era esperado. O timing do toc-toc é que não podia ser mais perfeito.

Se você estava preso em uma caverna ontem e não ficou sabendo de nada, um tira-gosto: investigação da PF aponta que Nogueira teria recebido uma mesada da família Vorcaro, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. Em troca, usaria o mandato como balcão de serviços para o Banco Master: trabalhou nos bastidores contra a criação de uma CPMI, empenhou forças para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF e ainda apoiou a compra de um podre Master pelo BRB. Prestação de serviço completa, com entrega em domicílio.

Mas tinha um celular de Daniel Vorcaro no meio do caminho, dando indigestão. Numa conversa com seu primo Felipe, preso por suspeita de ter operacionalizado os pagamentos, o banqueiro cobrou, em junho de 2025, dois meses de atraso na propina ao senador.

E é aqui que a história fica mais saborosa para quem gosta de ironia bem temperada. Nada disso estava na delação premiada que foi rejeitada por André Mendonça, relator do caso Master no STF. O smartphone de Vorcaro já está gritando bem mais do que o delatante quer contar. O ministro, claro, ficou visivelmente irritado com a proposta de delação de Vorcaro, um pacote cuidadosamente editado que omitia nomes de peso e chegava à mesa da Justiça mais preocupado em proteger do que em esclarecer.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master,, sentado, falando e gesticulando
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Foto: reprodução

O mesmo Mendonça que sentiu na rejeição do advogado-geral da União Jorge Messias, um possível futuro aliado na corte, um ataque direto a ele por parte de Davi Alcolumbre, Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e patota .

Ciro Nogueira alimentava, em segredo de polichinelo, a brasa de ser o vice na chapa presidencial do filho de Jair ou ao menos um nome central na campanha. Flávio quer vender a ideia de combate à corrupção, tarefa difícil para quem já carrega o peso das rachadinhas e agora terá ao lado um aliado investigado por propina milionária do banqueiro mais famoso do Brasil.

Os mesmos que usaram o Senado como forno para assar Messias, impedindo sua chegada ao STF e assim tentando esfriar as investigações do caso Master, agora assistem a PF e o próprio Mendonça avançarem com velocidade. A rejeição de Messias não parou o relator. Apenas mostrou quem tinha medo do cardápio que ainda estava por vir.

Não à toa, uma das ausências que teriam sido notadas por Mendonça na delação de Vorcaro foi a do presidente do Senado Davi Alcolumbre, que indicou o responsável pelo fundo de previdência do Amapá – que torrou R$ 400 milhões no Master. O mesmo Alcolumbre que se gabava de ter travado Messias.

O forno continua aceso. E se não falta lenha para o Senado, tampouco para a PF e o STF. Vai ter mais pizza “com Supremo, com tudo”, como propôs o pizzaiolo Romero Jucá, em 2016, diante da Lava Jato? Ou o cardápio, desta vez, finalmente servirá centrão?

Bom apetite.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-apos-assar-messias-pizzaria-do-master-viu-aliado-dos-bolsonaro-ser-fatiado/