Por Leonardo Sakamoto, via UOL
Após surfarem nas redes, alegando que a manifestação de apoio a Lula na avenida Paulista foi vandalismo puro devido a um pequeno grupo que pichou e subiu em cima de uma estação de metrô, Flávio Bolsonaro e aliados estão sendo cobrados por um grupo de apoiadores que levou um míssil inflável ao seu ato na avenida Paulista hoje com a inscrição “Trump nuke Brazil” (Trump, lance armas nucleares no Brasil). Karma é que chama.
Da mesma forma que o bolsonarismo ignorou a justificativa de que se tratava de meia dúzia de pessoas que não representavam uma enorme manifestação pacífica, agora ele está provando do mesmo veneno. Apesar de o grupo envolvido com o palmitão inflável ser pequeno em comparação aos milhares de manifestantes que estavam lá de forma pacífica, as redes sociais foram inundadas com críticas ao ato devido ao pedido violento, entreguista e de mau gosto.
Ainda mais porque o próprio senador já havia pedido para o governo Trump bombardear o Brasil no ano passado.
Ao comentar uma publicação no X de Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, que havia anunciado mais um bombardeio a embarcações no Oceano Pacífico, ele disse: “Que inveja! Eu ouvi que há barcos como esse aqui no Rio de Janeiro, na Baía da Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a lutar contra essas organizações terroristas?”

Sim, um senador da República sugere publicamente a uma potência estrangeira que realize operações militares em nossas águas territoriais a fim de bombardear brasileiros sem o devido processo legal. O tráfico de drogas precisa ser combatido, mas não são aceitáveis, aqui ou em qualquer lugar, mortes infligidas sem apresentação de provas, sem acusações, sem direito de defesa, sem julgamentos, ou seja, sem o devido processo legal. Menos ainda que isso seja feito por uma potência estrangeira.
Não precisamos de uma solução “Deus Ex Machina” estadunidense para resolver nossos problemas; precisamos de autoridades que atuem de forma integrada para combater o crime organizado, estrangulem financeiramente as máfias e interrompam a promiscuidade com traficantes e milicianos. Pois é mais fácil pedir um míssil do que enfrentar as redes de corrupção, melhorar a investigação policial, investir em inteligência e promover a justiça social, medidas trabalhosas, pouco glamourosas e que não cabem em 280 caracteres.
Quero crer que o senador nunca pediria o uso de armas nucleares contra o seu próprio território, mesmo se perder a eleição. Mas, pelo visto, seus apoiadores, sim, sentindo-se autorizados pela falta de freio que suas lideranças políticas não impõem à militância.
A extrema direita acusa que isso foi feito por infiltrados. Mas por que ninguém da organização do evento impediu que aquela coisa de mau gosto permanecesse ereta no meio da Paulista? Se a imprensa e as redes viram, ela também deve ter notado. Pensou que não era importante, achou graça ou defende a liberdade para pedir traição ao próprio povo? Para uma parte do eleitorado, vai servir a máxima: quem cala, consente.
Além disso, não é a primeira vez que uma manifestação bolsonarista pede ajuda a Trump. Para citar apenas a última, um boneco inflável gigante do presidente norte-americano foi enchido na Paulista. E como esquecer o bandeirão dos EUA estendido em 7 de setembro de 2025, em pleno aniversário da independência?
A imagem vai circular bastante. E aqui a questão não é o risco à soberania, mas à integridade física. Os EUA não vão atender meia dúzia de idiotas, mas há uma parcela violenta da população que deve ser empoderada com o retorno desse grupo político ao poder. O risco não é um míssil, mas o que esse pessoal armado poderá fazer ao seu vizinho.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-missil-inflavel-explode-no-colo-de-flavio/

