Campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter danos após ataque contra Nossa Senhora Aparecida

Fiéis participam de missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, São Paulo. Foto: Reprodução

A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entende que a repercussão do caso sobre Nossa Senhora Aparecida, que pode perder o título de “Padroeira do Brasil”, causou um grande estrago na campanha presidencial de extrema-direita. Imediatamente, o filho de Jair Bolsonaro se pronunciou, afirmando não haver nenhum projeto nesse sentido, mas não conseguiu se desvincular do ódio de evangélicos contra imagens católicas.

Na tentativa de reduzir os danos, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou na sexta-feira (25) as plataformas retirarem publicações que criticam o senador. A decisão é uma tentativa de minimizar os danos na campanha de seu aliado, que já estava sendo explorada na disputa eleitoral.

Mendonça classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e determinou que os provedores atuem preventivamente contra sua disseminação. As redes também devem tornar indisponíveis, de imediato, novas reproduções da mentira, sem necessidade de outra ordem judicial específica.

O magistrado fixou multa diária de R$ 50 mil para cada provedor que descumprir a decisão. As empresas terão 48 horas para informar as providências adotadas e o número de conteúdos removidos; posts jornalísticos ou destinados a desmentir a informação falsa não entram na determinação.

Flávio divulgou um vídeo na noite de quinta-feira (24) para negar a acusação e voltou ao tema na sexta. “Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto”, disse. Pela manhã, afirmou que não há “absolutamente nada de concreto, nem projeto” e declarou: “Jamais faria isso”.

Flávio Bolsonaro em cerimônia da Polícia Militar
Flávio Bolsonaro de terno cinza e camisa branca em cerimônia da Polícia Militar. Foto: Reprodução

Repercussão começou com projeto de aliado

Um projeto para retirar o título de “Padroeira do Brasil” de Nossa Senhora Aparecida chegou a ser apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que mais tarde atuou como assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro. O Congresso arquivou a proposta no ano seguinte.

O caso ganhou tração após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar uma reação de setores da Igreja Católica a evangélicos que tentariam destituir Aparecida da condição de padroeira. Horas depois, a emissora emitiu um comunicado afirmando que a referência era ao projeto arquivado quase duas décadas antes, mas não desmentiu que a ideia segue em discussão em grupos religiosos.

Perfis também passaram a compartilhar um trecho de vídeo gravado por Flávio em 23 de agosto, quando ele justificou a ausência em um debate da TV Bandeirantes. Na gravação, o candidato disse: “Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

Levantamento da empresa Palver apontou que 37% das mensagens sobre o caso o consideraram verdadeiro, com reações de indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio. O pico ocorreu na sexta-feira (25), com 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes sociais e 15 a cada 100 mil em WhatsApp e Telegram.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tse-derruba-fake-news-flavio-bolsonaro-nossa-senhora-aparecida/