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S al e pesca, os dois setores da economia do Rio Grande do Norte mais atingidos pelo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, não serão beneficiados significativamente com o aumento das compras governamentais – anunciado na última quarta-feira 13 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dentro do pacote de ações para os exportadores mais afetados pelas taxas.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirma que a medida é bem-vinda, porém não contempla os dois segmentos. No caso do sal, Serquiz registra que a maior parte da produção potiguar destinada aos Estados Unidos era usada no degelo da neve e também na indústria farmacêutica, não para o consumo humano. Logo, mesmo que sejam ampliadas, as compras públicas internas, voltadas para o consumo humano, não serão suficientes para escoar toda a produção que era voltada para a exportação.
Já no caso do pescado, o presidente da Fiern afirma que não foi anunciado nenhum aumento de cota de compra, o que significa que o pescado poderá substituir outros produtos locais – prejudicando outros segmentos.
Sobre as demais medidas anunciadas, como linha de crédito de R$ 30 bilhões, adiamento na cobrança de impostos e aumento do percentual de restituição de tributos federais, Roberto Serquiz afirma que isso precisa ser discutido em cada setor. Ele, porém, sugere que as ações são apenas paliativas.
“Claro que todo apoio no momento emergencial é importante. Mas o que alimentamos, e sempre a indústria pediu, é uma relação diplomática mais efetiva entre governo brasileiro e governo americano, para que isso seja resolvido da melhor maneira possível. Nossa indústria passa por uma agonia para mitigar a realidade, os problemas impactados, mas pensando na solução futura”, destacou Serquiz.
Entenda mais sobre o assunto
Desde o último dia 6 de agosto, por ordem do presidente norte-americano Donald Trump, os Estados Unidos decidiram impor uma tarifa de 50% sobre a compra de produtos brasileiros, justificando a decisão com críticas ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex- -presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem qualificou como objeto de uma “caça às bruxas”. A medida recaiu sobre cerca de 36% das exportações brasileiras — especialmente produtos como café, carne e suco de laranja — enquanto outros 45% seguiram sob uma alíquota antiga de 10%.
O Brasil denunciou o ato como politicamente movido e não justificado por desequilíbrio comercial — afinal, os EUA registraram superávit comercial com o Brasil em 2024. O governo brasileiro recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC), solicitando uma consulta formal, e alegou que o comportamento dos EUA viola compromissos multilaterais.
Em resposta à escalada, o governo Lula lançou o “Plano Brasil Soberano”, um pacote de R$ 30 bilhões em apoio financeiro a exportadores afetados. A medida provisória inclui linhas de crédito subsidiadas e ampliação de créditos tributários, seguro-exportação, incentivo a compras pelo governo e até prioridade em licitações públicas.
Também estão em curso ações como fortalecimento do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), alterações em políticas de compras governamentais e crédito emergencial para suportar cerca de 10 mil empresas impactadas. Paralelamente, o Brasil busca diversificar seus mercados, intensificando negociações com países da Ásia, Europa e blocos como o Mercosul–União Europeia.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/compras-governamentais-nao-beneficiam-tanto-sal-e-pescado-diz-presidente-da-fiern/


