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Empresas têm ampliado o uso de influenciadores digitais nas estratégias de comunicação e marketing, incorporando criadores de conteúdo potiguares a campanhas que antes eram concentradas em publicidade tradicional. A prática já é adotada por supermercados, shoppings, operadoras de saúde e grandes eventos, como o Carnatal, que buscam alcançar o público com linguagem regional e maior identificação.
Dados do relatório Influência & Consumo 2025, da Youpix em parceria com a Nielsen, indicam que o marketing de influência deixou de ser complementar e passou a ocupar espaço relevante nos orçamentos. Segundo a pesquisa, 75% dos líderes e 87% dos profissionais de marketing se dizem entusiastas das estratégias com influenciadores e concordam que trabalhar com criadores traz resultados que outros formatos digitais não alcançam.
Ainda de acordo com o levantamento, cresceu o número de empresas que destinam mais de 20% do orçamento de marketing ao marketing de influência, indicando que a prática saiu do rodapé do planejamento e passou a ser tratada como parte estruturante das campanhas.
Em Natal, esse movimento é percebido no cotidiano do consumidor. Redes de supermercados, shoppings, planos de saúde e eventos de grande porte passaram a utilizar influenciadores locais para divulgação de produtos, serviços e experiências, com ações que vão do pré-lançamento ao pós-venda.
Influenciador é profissão como qualquer outra
Para a assessora de influenciadores Gabriella Aguiar, o crescimento está ligado à autenticidade dos criadores potiguares e à mudança de percepção das empresas. “O RN tem muito influenciador autêntico e finalmente as empresas perceberam isso. Hoje o criador de conteúdo é uma maneira de baratear a vinculação da sua marca, demonstrar a usabilidade do seu produto e conversar com uma comunidade engajada”.
Ela avalia que, apesar do avanço, o mercado ainda enfrenta desafios ligados à profissionalização. “Já avançamos muito, mas ainda falta profissionalização, o famoso ‘parar de achar que é um hobby’. Influenciador é profissão como qualquer outra, demanda rotina, gestão financeira, estratégia e planejamento”.
Segundo Gabriella, um erro comum das marcas é contratar influenciadores apenas pelo momento de popularidade. “Achar que só porque o influenciador está no ‘hype’, vai funcionar para a empresa dele. Não avaliam o nicho, o perfil de público, o discurso do próprio influenciador, só o ‘hype’”. ‘Hype’ é quando um nome, produto ou tendência ganha muita visibilidade em pouco tempo, principalmente nas redes sociais, mas nem sempre mantém impacto duradouro.
Na avaliação dela, a credibilidade está diretamente relacionada à coerência entre discurso e prática. “A coerência. Não adianta divulgar algo que ele não vive, o lifestyle acaba entregando”.
Empresas veem influenciadores como parceiros
O uso estratégico de influenciadores também faz parte do planejamento de empresas locais. O diretor de marketing da Clap/Carnatal, Antônio Torres, afirma que a decisão de investir em criadores potiguares está ligada à forma de comunicação com o público. “É uma forma genuína de conversar com nossos clientes em diferentes canais com a linguagem e jeito que ele está acostumado a ver e ouvir”.
Segundo ele, os influenciadores não entram automaticamente em todas as campanhas. “Cada campanha, cada produto, cada objetivo tem um plano e caminho traçado. O influenciador vem sendo incluído de acordo com esses pontos”. A empresa prioriza verdade e identificação, independentemente do tamanho do perfil. “Grande e pequeno é relativo. Em muitos casos micro tem dado muito mais retorno que grandes influenciadores”.
Sobre mensuração, Antônio explica que não existe um único indicador. “É um conjunto de fatores. Envolvimento com a marca, onde aquela história chegou e como chegou, os números, etc. Depende da estratégia e objetivo”. Para ele, a relação deve ser construída como parceria. “Não se pode pensar como um simples veículo ou cardápio dividido em quantidade de reels e stories. Parceria é a palavra”.
Anna deixou o emprego CLT e mudou de vida com a internet
A influenciadora Anna Soares é um exemplo de como o crescimento do marketing de influência também impacta trajetórias pessoais. Ela decidiu deixar o emprego formal para se dedicar integralmente à criação de conteúdo. “Eu trabalhava em um escritório, era assistente de marketing, e estavam aparecendo algumas oportunidades que eu precisava recusar porque eu era muito limitada, meu tempo era muito limitado”.
Ela se desligou da empresa no início de 2024 e passou a atuar profissionalmente com publicidade digital. “Hoje eu consigo atender diferentes setores no mercado de trabalho. Eu fecho com supermercados, marcas de energia solar, planos de saúde e shoppings também”.
Anna afirma que a lógica de contratação mudou. “Hoje eu já vejo que as marcas olham muito mais o senso de comunidade que aquele influenciador tem, o impacto que ele tem sobre o público”. Segundo ela, a credibilidade vem da relação próxima com os seguidores. “Essa credibilidade é muito por causa da transparência. Eu trago muita transparência, genuinidade”.
A mudança também trouxe impactos financeiros e de rotina. “Mudou completamente a minha vida pessoalmente falando quanto financeiramente falando”. Ela avalia que empresas potiguares têm sido decisivas nesse processo. “Foram as empresas potiguares que abriram muitas portas hoje”.
Dados reforçam a tendência
O relatório da Youpix e Nielsen aponta que os influenciadores são considerados estratégicos para 7 em cada 10 marcas e aparecem entre os principais canais das estratégias digitais, atrás apenas do Instagram. O estudo também indica que 80% dos consumidores já compraram produtos indicados por influenciadores e que 54% gostam de saber quais marcas os criadores utilizam.
Apesar do crescimento, a pesquisa mostra que a principal barreira para ampliar investimentos ainda é a mensuração de resultados, citada por 53% dos entrevistados, seguida da dificuldade de provar a efetividade do influenciador.
Em Natal, o cenário indica que o marketing de influência deixou de ser uma aposta pontual e passou a integrar o planejamento de empresas que buscam proximidade com o público local, linguagem regional e comunicação direta – um movimento que tende a se consolidar com maior profissionalização do mercado.
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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/empresas-apostam-influenciadores-potiguares/

