Grupo Mevos diz que eletrificação já muda comportamento do cliente

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A eletrificação começou a afetar até grupos automotivos que ainda não têm veículos 100% elétricos no centro do portfólio local. No Grupo Mevos, que reúne Jeep, Ram, Hyundai e Via Truck Seminovos no Rio Grande do Norte, a mudança aparece primeiro no comportamento do consumidor: mais informado, mais curioso e mais atento à combinação entre tecnologia, economia e segurança na compra.

Para a coordenadora de marketing do Grupo Mevos, Patricia Evangelista Moreira, o mercado potiguar ainda vive uma fase de amadurecimento, mas já demonstra evolução rápida quando comparado aos últimos anos e até aos últimos meses. Mesmo sem atuar diretamente, por enquanto, com veículos 100% elétricos, o grupo percebe que o consumidor deixou de tratar a eletrificação como algo distante ou apenas experimental.

“Em Natal e no RN, percebo que o consumidor já não enxerga mais o eletrificado como algo distante ou apenas experimental. Hoje ele começa a considerar híbridos, híbridos plug-in e elétricos como alternativas reais de compra, principalmente quando há ganho em economia e tecnologia”, afirma.

A leitura da empresa é que o cliente chega mais informado, acompanha lançamentos e busca entender melhor as novas tecnologias. O interesse, segundo Patricia, aparece mesmo quando o modelo desejado ainda não está no portfólio local da concessionária. Isso indica que a eletrificação já se tornou parte da conversa de compra no setor automotivo, inclusive entre consumidores que ainda não decidiram migrar para um híbrido ou elétrico.

“Sim, o consumidor potiguar já demonstra interesse e curiosidade pelos veículos híbridos e elétricos, mesmo que ainda não trabalhemos diretamente com esses modelos em nosso portfólio atual. O cliente está mais informado, acompanha lançamentos e busca entender melhor essas tecnologias”, diz.

Coodenadora de marketing Mevos, Patricia Moreira – Foto: Reprodução

O Grupo Mevos atua no mercado automotivo potiguar com marcas de grande relevância, como Jeep, Ram e Hyundai, além da Via Truck Seminovos. A operação reúne venda de veículos novos e seminovos, peças, pneus, funilaria e serviços especializados. Essa atuação diversificada permite ao grupo observar diferentes etapas da jornada do cliente, da pesquisa inicial à compra, do uso diário ao pós-venda.

Por isso, a mudança provocada pelos eletrificados não é vista apenas como uma questão de produto. Para Patricia, a chegada dos híbridos e elétricos exige preparação maior das concessionárias, especialmente em treinamento de equipes, atendimento, estrutura de oficina, equipamentos de diagnóstico, atualização de software e capacitação.

Como o grupo ainda não trabalha diretamente com veículos 100% elétricos no portfólio local, essas mudanças ainda não fazem parte da operação de forma direta. Mas a preparação já entrou no radar da empresa.

“Esse é um movimento que precisa ser observado com atenção, pois, quando esses modelos passarem a fazer parte do portfólio, será necessário preparar tanto a equipe comercial quanto a área técnica para oferecer um atendimento seguro, claro e alinhado às novas demandas do consumidor”, afirma Patricia.

A fala revela uma característica importante da atual fase do mercado: a eletrificação passou a influenciar não apenas quem já vende esse tipo de veículo, mas também grupos tradicionais que precisam se antecipar à mudança. O consumidor compara, pergunta, pesquisa e espera respostas mais completas. Quer saber sobre economia, autonomia, tecnologia, conforto, conectividade e, principalmente, segurança no pós-venda.

No caso das marcas tradicionais, a chegada das chinesas aumentou a pressão competitiva. Patricia avalia que as novas marcas entraram com atuação agressiva em preço, tecnologia, design e eletrificação. Isso obriga grupos consolidados a reforçarem seus próprios diferenciais, como confiança, rede autorizada, disponibilidade de peças, garantia, relacionamento e valor de marca.

“Mudou bastante. A chegada das marcas chinesas trouxe uma concorrência mais agressiva em preço, tecnologia, design e eletrificação. Isso obriga diretamente que as marcas tradicionais reforcem seus diferenciais de confiança, rede autorizada, pós-venda, disponibilidade de peças, garantia, relacionamento e principalmente valor de marca”, afirma.

No Rio Grande do Norte, segundo ela, esse posicionamento pesa ainda mais porque o consumidor valoriza segurança na compra. O cliente pode se encantar com a tecnologia, mas ainda quer saber quem dará suporte, onde fará revisão, como será atendido e qual tranquilidade terá depois da aquisição do veículo. Nesse ponto, a estrutura local e a reputação da concessionária continuam sendo fatores decisivos.

“Ele pode se encantar com a tecnologia, mas ainda quer saber quem vai dar suporte, onde fará revisão, como será atendido e qual será a tranquilidade no pós-venda”, diz Patricia.

Para a coordenadora, a disputa atual não se resume ao produto. O carro pode atrair pelo design, pela tela, pela conectividade ou pela promessa de economia, mas a decisão de compra passa também pela confiança em toda a cadeia de atendimento. Essa é uma vantagem que grupos tradicionais tentam preservar diante da chegada de marcas novas.

“As marcas tradicionais precisam comunicar melhor aquilo que já possuem como força: reputação, capilaridade, assistência, experiência de mercado e relacionamento com o cliente. A disputa não é apenas por produto; é por confiança”, afirma.

Na avaliação do Grupo Mevos, os SUVs devem ter papel importante na aceleração da eletrificação no Nordeste. Patricia observa que o consumidor brasileiro tem preferência por esse tipo de veículo, e a chegada de versões híbridas ou eletrificadas nesse segmento pode aproximar mais clientes da nova tecnologia. Ela cita modelos como o Hyundai Kona Híbrido, por unir motor a combustão e motor elétrico em uma proposta mais familiar para quem ainda tem dúvidas sobre migrar para um 100% elétrico.

A Jeep também aparece no radar da empresa com a expectativa em torno do Avenger, previsto para produção no Brasil a partir de 2026, dentro da estratégia da marca de ampliar tecnologia, design e novos produtos no mercado nacional. Além dos modelos, Patricia aponta assistentes de condução, conectividade, atualizações de software, maior eficiência de bateria e sistemas híbridos mais acessíveis como fatores que devem impulsionar a decisão de compra.

O RN, segundo ela, reúne características favoráveis para medir a aceitação dos eletrificados no Nordeste. Natal tem perfil urbano, turístico e consumidores abertos à inovação. O estado também possui deslocamentos urbanos mais previsíveis, forte presença de condomínios, empresas e clientes interessados em economia e tecnologia. Mesmo sem ser o maior mercado da região, pode funcionar como termômetro para entender a evolução do segmento.

“O estado pode funcionar como um termômetro interessante: não é um mercado saturado, mas já tem consumidores atentos, curiosos e dispostos a experimentar novas tecnologias”, afirma Patricia.

Para o Grupo Mevos, a eletrificação deve ser acompanhada de forma gradual, mas estratégica. A mudança já aparece na conversa com o consumidor e tende a exigir das concessionárias uma nova capacidade de explicação, atendimento e suporte. O cliente quer inovação, mas não quer abrir mão da segurança. Quer tecnologia, mas também quer confiança. Quer economia, mas espera pós-venda.

É nesse equilíbrio que o grupo enxerga a nova fase do mercado automotivo no RN. A eletrificação pode começar pela curiosidade sobre um novo tipo de veículo, mas termina mexendo em toda a jornada de compra. Mesmo antes de transformar completamente o portfólio, já transforma o comportamento do cliente.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/grupo-mevos-diz-que-eletrificacao-ja-muda-comportamento-do-cliente/