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As Polícias Civil e Militar do Rio Grande do Norte investigam a participação de um segundo veículo na fuga dos suspeitos do atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL) na noite desta segunda-feira 15. Segundo informações divulgadas pelas forças de segurança nesta terça-feira 16, um motorista foi conduzido à delegacia após relatar que transportou os homens apontados como autores do ataque para outro local da cidade. O assessor do vereador, identificado como Diego de Oliveira Morais, morreu no atentado.
De acordo com a investigação, os suspeitos utilizaram inicialmente um Toyota Corolla para executar o crime. Após o atentado, o veículo foi abandonado e o grupo fugiu por uma área de mata, enquanto equipes policiais realizavam cercos na região.
Durante as buscas realizadas ao longo da madrugada, as forças de segurança receberam informações de que os suspeitos teriam conseguido outro veículo para continuar a fuga, do modelo Ford Ka. A partir de sistemas de monitoramento foi possível localizar o automóvel e identificar o condutor.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, o motorista afirmou aos policiais que apenas transportou os suspeitos para outro ponto e depois retornou. O homem foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos sobre as circunstâncias do contato com os investigados.
“Foi denunciado que eles abordaram um veículo que estavam tentando sair de Mossoró. Esse veículo também foi abordado com o auxílio da Polícia Rodoviária Federal através das câmeras de identificação nacional. O condutor disse que deixou esse cidadão no local e esse local está sendo saturado agora pela Polícia Militar”, disse o coronel Alarico.
A partir das informações fornecidas pelo motorista, novas buscas foram realizadas em áreas apontadas como possíveis rotas de fuga dos suspeitos. A possível relação do atentado com facções criminosas está entre os pontos analisados pela investigação.
Antes do ataque, Cabo Deyvison havia publicado vídeos nas redes sociais relatando ameaças atribuídas a integrantes de uma organização criminosa e afirmando que familiares também estariam sendo intimidados.
Questionadas sobre o assunto, as autoridades informaram que essas denúncias serão apuradas, mas ressaltaram que ainda não existem elementos suficientes para estabelecer ligação entre as ameaças e o atentado. Por isso, segundo o delegado Márcio Lemos, da Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), nenhuma linha investigativa foi descartada até o momento.
“Ele é um agente político, se posicionou muito na imprensa ultimamente, não podemos desacreditar a palavra dele, mas não vamos descartar, nem afirmar”, disse.
Os criminosos usaram armas de grosso calibre durante a ação. De acordo com a polícia, foi apreendido um carregador de fuzil durante as buscas. O vereador foi socorrido para o Hospital da Polícia de Mossoró.
Segundo informações divulgadas pelas forças de segurança, ele sofreu dois ferimentos por arma de fogo. Um dos disparos atravessou o corpo, enquanto o outro permaneceu alojado. Deyvison também teve uma fratura na tíbia e passará por avaliação de uma equipe de ortopedistas para definir o procedimento médico mais adequado e a necessidade de intervenção cirúrgica.
Busca pelos suspeitos
As investigações trabalham com a participação de três homens no atentado. Segundo a Polícia Militar, já existem informações sobre pelo menos um dos envolvidos, que teria vindo do Ceará para Mossoró antes do crime.
Após abandonarem o Corolla utilizado na ação, os suspeitos entraram em uma área de mata, o que levou as forças de segurança a utilizarem drones com câmeras termais durante toda a madrugada na tentativa de localizá-los. Apesar dos esforços, ninguém foi preso até o momento.
A Polícia Civil informou que a identificação dos autores é a principal prioridade da investigação. Somente após a definição da autoria será possível avançar de forma mais conclusiva sobre a motivação do atentado contra o vereador.
O caso é investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de setores de inteligência da Polícia Civil, Polícia Militar e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).
O caso
O vereador Cabo Deyvison foi baleado enquanto gravava uma live em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel, em Mossoró, na noite desta segunda-feira 15. O assessor que o acompanhava, identificado como Diego de Oliveira Morais, foi atingido pelos disparos e morreu no local.
O ataque aconteceu enquanto o parlamentar realizava uma transmissão ao vivo na zona leste do município. Cabo Deyvison foi atingido nas pernas e recebeu os primeiros atendimentos na própria UPA.
Na saída da unidade de saúde para o hospital, o vereador demonstrou indignação e direcionou declarações a possíveis adversários ligados à política e ao crime. Policial militar de formação, ele atua no primeiro mandato na Câmara Municipal de Mossoró e tornou-se conhecido por denúncias envolvendo a gestão pública e organizações criminosas.
Eleito vereador de Mossoró em 2024 com 1.766 votos, Deyvison Thales Martins do Nascimento, conhecido como Cabo Deyvison, ingressou na Câmara Municipal pelo MDB. Em março deste ano, deixou a legenda e filiou-se ao PL com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Desde a mudança partidária, o vereador passou a enfrentar uma disputa judicial relacionada ao mandato. O MDB ingressou com ação questionando sua permanência no cargo após a desfiliação. Cabo Deyvison afirma ser alvo de perseguição política e busca na Justiça manter o mandato parlamentar.
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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/policia-investiga-segundo-veiculo-usado-na-fuga-apos-atentado-contra-vereador-em-mossoro-motorista-presta-depoimento/

