Parque da Soledade tem mais de 31 mil pessoas sepultadas

Localizado na avenida Serzedelo Corrêa, no bairro da Batista Campos, em Belém, o Parque Cemitério Soledade guarda parte importante da história da capital paraense. Inaugurado em 8 de janeiro de 1850, o espaço reúne elementos arquitetônicos de diferentes períodos, monumentos funerários e a memória de milhares de pessoas que viveram na cidade.

Antes da criação do Soledade, Belém já possuía outros espaços destinados aos sepultamentos. Em 1815, foi instalado na avenida Serzedelo Corrêa o Cemitério Protestante, que ficou conhecido como Cemitério dos Ingleses. Anos depois, em 1819, durante uma epidemia de varíola, foi aberto nas proximidades um cemitério municipal precário, chamado de “Cemitério das Valas”. Em 1842, também na região, surgiu o Cemitério Israelita.

A inauguração do Cemitério Nossa Senhora da Soledade, em 1850, ocorreu em um período marcado por epidemias de febre amarela e cólera. A criação de um cemitério público organizado era uma necessidade sanitária para Belém, que enfrentava problemas relacionados aos sepultamentos.

O nome Soledade faz referência a Nossa Senhora da Soledade, representação religiosa associada à tristeza e à solidão de Maria diante da morte de Jesus Cristo. A devoção também tem relação com Nossa Senhora das Dores.

De cemitério público a patrimônio histórico

O Soledade funcionou como cemitério até 1880, quando atingiu sua capacidade máxima. A partir de então, os sepultamentos passaram a ser realizados no Cemitério de Santa Isabel, inaugurado em 1878.

Com a secularização dos cemitérios, em 1890, a administração do Soledade passou para a Intendência Municipal de Belém. O espaço recebeu sua última grande reforma durante a gestão do intendente Virgílio Mendonça. Uma placa instalada em frente ao pórtico registra a data de 1912.

Em 1964, o Cemitério da Soledade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), após mobilização de intelectuais como Ernesto Cruz e Mário Barata. Foi o primeiro cemitério tombado no Brasil, em reconhecimento à sua importância arqueológica, etnográfica e paisagística.

Trinta anos depois, em 1994, o espaço também recebeu tombamento municipal. Na época, chegou a ser apresentada a proposta de transformá-lo em um cemitério-parque.

Museu a céu aberto em Belém

O conjunto arquitetônico do Soledade reúne diferentes estilos, como romantismo, neoclássico, neogótico e neobarroco. A construção teve participação do construtor Joaquim Victorino de Sousa Cabral, enquanto a administração ficou a cargo da Santa Casa de Misericórdia do Pará.

Com aproximadamente 22 mil metros quadrados, o espaço tem registro de 31.872 pessoas sepultadas, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), de 2013.

No interior do parque, uma alameda central conduz ao Cruzeiro, à capela e à torre sineira. O terreno também apresenta áreas ligadas a antigas irmandades religiosas, como a Ordem de Santo Cristo, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e a Ordem Terceira do Carmo. Nessas áreas estão monumentos, catacumbas e sepulturas de pessoas particulares, escravizadas e libertas.

A vegetação também faz parte da identidade do local. As mangueiras são predominantes no parque e compõem a paisagem histórica de Belém. Mangueiras e samaumeiras de Belém e Ananindeua foram reconhecidas como patrimônio cultural do Pará em 1982, por iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura.

Em 2021, por iniciativa da Secult, o antigo cemitério passou a funcionar como Parque Cemitério Soledade. O projeto de transformação foi elaborado e financiado pelo órgão estadual, seguindo uma tendência de valorização de antigos cemitérios como espaços de memória, patrimônio e visitação.

Ao longo dos anos, o local também foi alvo de diferentes propostas de intervenção, que incluíram desde a reforma das grades e modernização da capela até projetos mais radicais, como a construção de casas ou edifícios. A transformação em parque, no entanto, preservou o conjunto histórico e sua importância para a memória da capital paraense.

Funcionamento no Dia de Finados

No Dia de Finados, o Parque Cemitério Soledade estará aberto exclusivamente para a realização de missas na capela. As celebrações estão programadas para 8h30 e 17h.

Não haverá visitação regular aos túmulos.

Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/ha-176-anos-este-cemiterio-de-belem-guarda-a-memoria-de-milhares-de-pessoas/