A história de Belém deixa os livros e ganha ruas, praças, edificações e experiências práticas com o Nosso Patrimônio, projeto desenvolvido pelo jornal DIÁRIO DO PARÁ, com apoio da Vale. A iniciativa aproxima crianças e jovens de símbolos da memória paraense e utiliza atividades de educação patrimonial para despertar pertencimento e estimular a preservação da história e da cultura da cidade.
Parceiro da ação, o Fórum Landi, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), leva ao projeto sua experiência de 23 anos de atuação no Centro Histórico. A coordenadora do Fórum e da ação educacional do Nosso Patrimônio, professora e pesquisadora Roberta Menezes Rodrigues, destaca que trabalhar o tema com estudantes permite mostrar que patrimônio vai muito além de construções antigas.
“Quando a gente fala de patrimônio cultural, estamos falando de patrimônio material e imaterial. O Centro Histórico não é apenas uma junção de prédios antigos. É um território que reúne edificações, ruas, praças, feiras e manifestações culturais”, explica.

Primeira experiência no Fórum Landi
A primeira programação do projeto ocorreu dia 28/08 colocou os estudantes em contato direto com o Centro Histórico de Belém por meio de atividades no Fórum Landi, espaço da UFPA dedicado à pesquisa, ensino e extensão.
Durante a experiência, a equipe trabalhou diferentes escalas de compreensão da cidade. Inicialmente, os participantes observam a maquete do Centro Histórico existente no Fórum. Em seguida, a atenção é direcionada para a Praça do Carmo e, finalmente, para uma edificação específica, que pode ser reproduzida pelos estudantes em uma maquete de papel.
“A gente faz uma transição entre a escala da cidade e a escala da Praça do Carmo. Usamos a maquete do Centro Histórico como uma aproximação desse território e depois chegamos à escala da edificação, que eles efetivamente vão construir em papel”, detalha Roberta.
As maquetes também são encartadas no DIÁRIO, ampliando o alcance da ação para além dos estudantes atendidos presencialmente. A proposta é permitir que leitores tenham contato com representações de prédios históricos e, ao montá-las, sejam estimulados a conhecer a trajetória e a importância desses espaços.
Para Roberta, o caráter lúdico ajuda a tornar mais acessível um assunto que pode parecer complexo para crianças e adolescentes. “A maquete é um recurso didático, lúdico e também de sensibilização. É uma forma de comunicar e fazer as pessoas refletirem sobre a história desses prédios e desses lugares”, afirma.
História que vai além dos prédios
Um dos objetivos da ação é ampliar a compreensão sobre o significado de patrimônio cultural. A coordenadora cita o Círio de Nazaré e o Ver-o-Peso como exemplos de como elementos materiais e imateriais se encontram na construção da identidade paraense.
No Ver-o-Peso, por exemplo, a estrutura física da feira convive com costumes, saberes, alimentação e práticas culturais transmitidas entre gerações. No Círio, a manifestação religiosa está diretamente relacionada à paisagem e aos espaços históricos percorridos pela procissão.
“É importante entender que existem várias formas de abordar esse assunto e que ele permeia o nosso dia a dia e a nossa vida na cidade”, observa.
Segundo a professora, trabalhar essa percepção desde a escola é essencial para criar uma relação de pertencimento. “Sem esse processo de sensibilização fica difícil falar sobre preservação e até sobre a reprodução da própria cultura”, acrescenta.
Setembro terá novas ações
A programação do Nosso Patrimônio prossegue durante setembro, ampliando as experiências de educação patrimonial com os estudantes. As próximas atividades darão continuidade ao trabalho iniciado no Fórum Landi e no Centro Histórico, aproximando os participantes dos espaços que ajudam a contar a história de Belém.
Cartilhas levam conteúdo às escolas
O projeto também foi pensado para continuar dentro das salas de aula. A equipe do Fórum Landi elaborou cartilhas de educação patrimonial, com conteúdo adaptado para crianças e jovens e propostas de atividades que poderão posteriormente ser desenvolvidas pelos professores.
Dessa forma, as oficinas funcionam como primeiro contato, mas o aprendizado não termina com as visitas.
“É um material que pode ser utilizado posteriormente pelas escolas e servir de referência sobre esse tema. Propomos atividades que podem ser desenvolvidas pelos professores”, explica Roberta.
A expectativa é que o conteúdo alcance inclusive instituições que não participarem desta primeira etapa presencial. As cartilhas passam a funcionar como recurso didático para introduzir discussões sobre cidade, memória, patrimônio material, manifestações culturais e preservação.
Universidade e sociedade mais próximas
A participação do Fórum Landi também mobiliza estudantes de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, que auxiliam nas oficinas.
Roberta explica que essa atuação integra a proposta de extensão universitária do Fórum, aproximando conhecimento acadêmico e sociedade. A experiência beneficia os estudantes das escolas, mas também contribui para a formação dos universitários envolvidos.
“Temos um batalhão de alunos da graduação junto com a gente realizando as oficinas. Isso também é formação para os alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo”, destaca.
Para a coordenadora, essa troca resume a própria função do Fórum Landi: transformar pesquisa e conhecimento acadêmico em experiências capazes de dialogar com a população.
Ao reunir jornal, universidade, escolas e estudantes, o Nosso Patrimônio pretende fazer com que crianças e jovens não apenas reconheçam prédios e monumentos, mas compreendam que a memória de Belém também está nas ruas, nas feiras, nas celebrações, nos costumes e nas pessoas que diariamente constroem a identidade da cidade.


Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/nosso-patrimonio-transforma-historia-de-belem-em-experiencia-para-criancas-e-jovens/


