No coração da Cidade Velha, um dos bairros mais antigos de Belém, a Igreja da Nossa Senhora do Carmo completa 400 anos de história em 2026 e está entre os patrimônios mais antigos da capital paraense.
Fundada em 1626, quando a Ordem dos Carmelitas se estabeleceu no Pará, ela é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) por ser a primeira igreja da Amazônia, segundo informações da Prefeitura Municipal de Belém.
História começou no século XVII
Antes da construção da igreja, o terreno pertencia à fazenda Santa Tereza de Monte Alegre, de Bento Manuel Parente, que posteriormente doou a propriedade aos Carmelitas para a instalação da ordem religiosa no século XVII.
Porém, de acordo com registros do patrimônio, a igreja original foi demolida em 1690 e, no mesmo ano, começou a construção do conjunto que daria origem à atual Igreja e Convento do Carmo.
A restauração foi realizada no século seguinte com base no projeto do arquiteto italiano Antônio Landi (1713-1791), responsável por algumas das construções mais marcantes da arquitetura histórica de Belém. Ele conservou tanto as obras de arte do local quanto os retábulos da capela do altar-mor e o altar de prata com incrustação de pedras semipreciosas.
Igreja atravessou o período da Cabanagem
Durante o movimento da Cabanagem, ocorrido entre 1835 e 1840, o templo foi utilizado pelas tropas imperiais, e serviu para os cabanos encurralarem os soldados atrás do altar. Segundo o registro histórico reunido pelo site iPatrimônio (livro “Igrejas de Belém” do historiador paraense Ernesto Cruz), os militares não foram mortos graças à intervenção do bispo Dom Romualdo de Souza Coelho.
Patrimônio protegido pelo IPHAN
A importância histórica do conjunto fez com que ele fosse incluído entre os bens protegidos pelo IPHAN. O processo de tombamento da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, incluindo o convento e a Capela da Ordem Terceira, é o nº 326-T-1940, com inscrição no Livro do Tombo Histórico em 3 de janeiro de 1941.
O acervo digital do próprio IPHAN registra o bem como tombado e reúne documentos produzidos desde a década de 1940, com fotografias e registros de intervenções realizadas no conjunto.
O tombamento faz parte de um processo mais amplo de preservação do patrimônio histórico de Belém. O Centro Histórico, formado principalmente pelos bairros da Cidade Velha e da Campina, reúne cerca de 2.800 edificações protegidas pelo IPHAN.
A preservação da Igreja do Carmo, por sua vez, representa um registro das transformações pelas quais a cidade passou ao longo do tempo. Para o professor e historiador Márcio Neco, qualquer edificação histórica é muito mais que apenas um monumento, elas comunicam, de forma material, um aspecto da história de Belém.
“A Igreja do Carmo nos comunica, nos informa, nos fornece os dados históricos do início de Belém […] e também deve ser preservada por conta da sua tradição religiosa, o templo sagrado da Amazônia, uma das igrejas mais antigas das quais nós temos registros.” afirma o professor.
Além disso, ele destaca que preservar a igreja significa manter parte dessa memória acessível às próximas gerações, para que esse patrimônio continue contando a história de Belém.
“Preservar esses monumentos é preservar a nossa história. É fazer com que o passado possa dialogar com o presente e informar as futuras gerações. E a Igreja do Carmo entra neste cenário de um local que precisa ser mais valorizado, mais conhecido e preservado. Não só a a Igreja do Carmo, mas como todo o seu entorno. A sociedade que conhece seu patrimônio, o valoriza muito mais.” conclui.
Arquitetura da Igreja de Nossa Senhora do Carmo
A arquitetura da Igreja do Carmo chama atenção de historiadores porque possui uma mistura de características de diferentes estilos. O corpo e a fachada da construção apresentam elementos neoclássicos, e o interior conserva características barrocas. A capela abriga ainda uma valiosa coleção de arte sacra.
Igreja fica próxima à primeira rua de Belém
A Igreja de Nossa Senhora do Carmo está localizada na Travessa Dom Bosco, no bairro da Cidade Velha, em Belém. O templo fica próximo ao encontro com a Rua Siqueira Mendes, considerada a primeira rua de Belém.
Antiga Rua do Norte, a via foi aberta ainda no início da formação da cidade para ligar a região do Forte do Presépio ao local onde hoje está a Igreja do Carmo.
Missas acontecem todos os dias
Para quem se interessou em conhecer o patrimônio de perto, a Igreja da Nossa Senhora do Carmo pode ser visitada durante às celebrações religiosas que acontecem diariamente. As missas são realizadas de segunda a sexta-feira, às 18h30, e aos sábados e domingos, às 12h.
- Estagiária sob supervisão de Clayton Matos
Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/quatro-seculos-de-historia-igreja-do-carmo-e-um-dos-patrimonios-mais-antigos-de-belem-veja-as-fotos/


