Tchê ou égua? Churrasco gaúcho com toque paraense faz sucesso

O que começou como uma mudança forçada pelas enchentes no Rio Grande do Sul se transformou em um dos negócios mais comentados nas redes sociais em Belém. Há um ano e três meses, o gaúcho Cristiano Schenatto, 32 anos, decidiu apostar em um formato diferente de churrasco de rua, unindo técnica tradicional do Sul aos sabores regionais paraenses.

“A história começou assim, deu enchente no Rio Grande do Sul e a renda baixou muito. Fui para o Rio de Janeiro procurar trabalho em uma churrascaria, porque minha família já trabalha nesse ramo. Sempre foi negócio de família”, relembra. No Rio, conheceu a mulher dele, Kelly Costa, uma paraense, biomédica, que o convidou a visitar Belém. A visita virou mudança definitiva.

“Eu comecei a observar os lugares aqui. Aí falei, ‘e se a gente inventasse algo diferente? Um balcão com muita variedade, preço acessível e a pessoa escolhe na hora’. Podia dar certo ou não”.

Sem capital inicial, Cristiano voltou às origens. Trabalhou como açougueiro durante o dia, enquanto estruturava o negócio à noite. “Minha profissão é açougueiro. Trabalhei meses durante o dia e à noite a gente abriu o churrasco. Ela fazia os acompanhamentos de dia e me ajudava a espetar. À noite eu ficava na churrasqueira”.

O formato chamou atenção,uma grande plataforma iluminada onde os espetos ficam expostos sobre a brasa. “Eu não queria que fosse só ‘um churrasquinho’. Criei o nome ‘plataforma de churrasco’. Aumentamos, botamos iluminação. É uma chapa encaixada sobre o fogo, onde a gente expõe tudo. O visual também vende”, explica.

O crescimento ganhou força com a internet. Segundo Cristiano, as redes sociais dobraram o faturamento do negócio. “A rede social entra como um canal de venda. No começo eu fazia vídeo explicando os sabores. Aí uma influencer fez um vídeo, me marcou e aquilo virou um funil. Ela disse: ‘Gaúcho, continua fazendo vídeo’. Eu fazia do meu jeito mesmo”.

Hoje, o estabelecimento vende entre 500 e 600 espetos por dia, com preço médio de R$ 11. O foco, segundo ele, é o custo-benefício. “Nossa proposta é simplificar. A pessoa vem com a família, cinco ou seis pessoas, gasta ali uns R$ 100 e todo mundo come e bebe”, afirma.

Apesar da adaptação ao gosto local, Cristiano garante que a base continua sendo gaúcha. “O tempero é gaúcho. A gente usa uma salmoura específica nossa. Mas agregamos o formato paraense, os sabores daqui”.

Entraram no cardápio itens como charque, língua, coração de boi, tripa e acompanhamentos como baião e farofa, que são ausentes no churrasco tradicional do Sul. “O gaúcho gosta do churrasco puro. Aqui já entra baião, farofa. Foi tudo sendo moldado para o gosto local”, diz.

Entre os campeões de venda estão o “completão”, carne, frango e calabresa e o charque. O cardápio também acompanha tendências nacionais. “Se a gente vê novidades em São Paulo ou no Rio, testa aqui. Carne com queijo, medalhão de frango, Romeu e Julieta. Sempre trocando pra manter novidades”.

O contador Anchieta Lima, 50, conheceu o espaço pelas redes sociais e aprovou a experiência. “Descobri pela mídia social. Pretendo voltar, se Deus quiser. O que me chamou atenção foi a organização e a variedade de carnes”, opina. Para ele, o churrasco já encontrou equilíbrio entre os dois estilos. “Está se adaptando. Tem o gosto paraense também”, afirma.

Quando o assunto é churrasco, Cristiano defende que o segredo não está na quantidade de temperos. “Um bom churrasco é sal grosso e brasa boa. Técnica e carne de qualidade. A fraldinha, por exemplo, precisa de gordura pra dar suculência. Carne muito magra resseca”. Ele ensina o ponto certo da temperatura, de acordo com o jeito gaúcho. “Se você aguenta seis segundos com a mão acima da brasa, está no ponto de colocar a carne”, orienta.

Receita de churrasco gaúcho do Cristiano

1. Menos tempero,

mais técnica

l A base do churrasco gaúcho é sal grosso e boa brasa.

l “Não é o tempero que faz o churrasco, é técnica e carne de qualidade.”

2. Escolha da carne

l Prefira cortes com boa camada de gordura.

l A gordura garante suculência e sabor.

l Carne muito magra tende a ressecar rapidamente.

3. Exemplo: fraldinha ideal

l Deve ter gordura espessa e bem distribuída.

l Quanto mais suculenta, melhor a experiência na mastigação.

4. Temperatura da brasa

l Faça o teste da mão:

l Aguente cerca de 6 segundos com a mão acima da brasa.

l Se não aguentar mais que isso, está no ponto certo para colocar a carne.

5. Controle do ponto

l O sabor muda conforme o ponto da carne.

l Mal passado, ao ponto ou bem passado exigem controle de tempo e calor.

l É importante que o churrasqueiro sempre verifique o ponto desejado. Isso pode ser feito de acordo com a maciez da carne, quanto mais dura mais bem passada está.

l A brasa deve ser média para forte, nunca com labareda alta.

SERVIÇO

l Endereço: Travessa Estrela, esquina com a rua Acatauassu Nunes, bairro do Marco. Funciona de segunda a sábado, das 18h à meia-noite.

Instagram: https://www. instagram. com/esquinado churrascooo/

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/tche-ou-egua-churrasco-gaucho-com-toque-paraense-faz-sucesso/