Luisa Mell, apresentadora e ativista da causa animal, fez um apelo enfático e emocionado pela reeleição do presidente Lula durante participação na “Live da Virada” neste domingo (24), comandada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Visivelmente angustiada diante da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), ela relacionou a candidatura do senador às milícias do Rio de Janeiro, criticou sua atuação na defesa do policial acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, e alertou para o risco de retrocesso democrático.
“Eu quero dizer para todo mundo que a gente ainda tem muita luta até amanhã, até o final da eleição, que a gente está lutando contra a milícia”, afirmou. Em seguida, comparou os dois candidatos e fez um apelo para que os eleitores não levem ao governo federal o que considera a realidade de um estado dominado por grupos milicianos.
“Eu amo o Rio de Janeiro, meu sonho era ter nascido no Rio de Janeiro, mas a gente sabe o que virou o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é um estado dominado pela milícia. A gente vai colocar isso no Brasil, gente? Pelo amor de Deus, eu estou desesperada, realmente”, declarou.
A preocupação de Luisa com a eleição de Flávio Bolsonaro está ligada, sobretudo, à atuação política do senador e à sua relação com personagens associados às milícias. A ativista lembrou o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011, morta com 21 tiros em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A magistrada atuava em processos contra policiais envolvidos em grupos criminosos.
Na época, ele publicou uma mensagem sobre a juíza, afirmando que ela havia contribuído para ter muitos inimigos ao humilhar policiais durante audiências. Luisa recuperou o episódio para questionar a postura do senador diante de agentes de segurança acusados de crimes.
“Então, quando ele coloca o nome, como advogado, lá no caso da Ana Clara, é para amedrontar os juízes. É isso que as pessoas precisam entender”, que é isso que os milicianos fazem”, afirmou.
O caso mencionado é o de Ana Clara Gomes Machado, morta aos 5 anos, em fevereiro de 2021, após ser atingida por um disparo de fuzil enquanto brincava em frente de casa, em Niterói. Flávio integrou a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de efetuar o disparo. Em 2024, o senador assinou um recurso contra a decisão que levou o policial a júri popular. O episódio voltou a repercutir na campanha presidencial depois que Lula questionou Flávio sobre sua atuação no caso.
A apresentadora também se emocionou ao falar sobre a ditadura militar. Ela contou que sua família foi atingida pela ditadura militar e recordou a prisão do tio, que estudava Medicina e foi detido depois de retirar uma bala do corpo de outro estudante ferido durante uma manifestação. Luisa associou uma eventual vitória do candidato da extrema direita ao período, o que representa uma ameaça às liberdades democráticas
“Minha mãe, quando estava grávida de mim, o meu tio foi preso pela ditadura. Simplesmente, ele era um estudante de medicina, e durante uma manifestação, um outro estudante tomou um tiro e o meu tio tirou essa bala, e por isso ele foi preso”, relatou.
Ela disse que a lembrança familiar reforça seu temor de que o país volte a viver sob um regime autoritário. Também contou que o próprio filho teme por sua segurança caso Flávio seja eleito, devido à sua atuação pública como ativista.
“Meu filho falou pra mim, mãe, se voltar, se ele ganhar, a gente vai ter que sair do país, porque você é uma ativista, você não consegue ficar lá, eles vão te matar. É disso que a gente está falando, gente”, afirmou.
A apresentadora afirmou também que seu posicionamento político já lhe custou milhões de seguidores e doadores de sua organização de proteção animal. Ainda assim, disse que não pretende abandonar a luta. “Eu estou desesperada. Eu estou aqui falando com todo mundo, tentando virar voto”.
A ativista também questionou a tentativa de Flávio Bolsonaro de se aproximar de pautas populares e da causa animal durante a campanha. Para ela, o discurso não corresponde ao histórico político de sua família, que, segundo afirmou, apoiou iniciativas para ampliar o acesso a armas e facilitar a caça esportiva no país.
Luisa citou Jair Bolsonaro e seu filho, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos Estados Unidos, denunciando que ambos receberam uma premiação do Safari Club International, organização internacional ligada à caça, por sua atuação legislativa favorável aos interesses do setor. “Eles amam armas, e quem ama armas não ama vida”, declarou.
Ao falar sobre a proteção animal, Luisa destacou uma iniciativa do governo Lula que promoveu “castração em massa” de animais. Ela afirmou ter acompanhado a implementação de perto e elogiou os mecanismos de controle adotados para evitar fraudes e impedir pagamentos por procedimentos que não foram realizados.
A ativista ressaltou que mantém uma postura crítica em relação ao governo federal e que continuará cobrando medidas mais efetivas para a proteção animal. A diferença, segundo ela, está na possibilidade de apresentar reivindicações, apontar problemas e buscar soluções sem abrir mão da liberdade de expressão.
Ao encerrar sua participação, Luisa Mell convocou os apoiadores a irem às ruas e a conversarem com eleitores indecisos, defendendo que a mobilização popular continue depois da eleição, diante da composição conservadora do Congresso Nacional para a nova legislatura.
“Isso tem que ser só o começo, é assim que a gente muda o país, governando junto, lutando, combatendo a extrema-direita que está infiltrada e está mandando no Senado e na Câmara”, concluiu.
Fonte: https://horadopovo.com.br/a-gente-esta-lutando-contra-a-milicia-diz-luisa-mell-ao-pedir-reeleicao-de-lula/

