Carlos Eduardo Martins é sócio de duas empresas com dívidas milionárias junto à Previdência e ao poder público. Polícia Civil investiga possível crime de racismo após imagens da encenação circularem nas redes sociais.
O empresário Carlos Eduardo Martins, flagrado puxando um homem negro acorrentado durante uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), no Rio de Janeiro, é sócio de duas empresas que acumulam mais de R$ 1 milhão em dívidas tributárias e previdenciárias. O levantamento foi publicado pelos portais Alma Preta e Metrópoles nesta semana.
Segundo a apuração, Martins integra o quadro societário da Cem Locação de Bens Móveis e Serviços Ltda. e da Top Gran Comércio de Granitos e Mármores Ltda., ambas com sede no bairro de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A Top Gran acumula débitos superiores a R$ 666 mil, enquanto a Cem Locação possui mais de R$ 386 mil em dívidas. Os valores incluem pendências com a Previdência Social e com o Simples Nacional, entre outras obrigações. As informações foram identificadas a partir de consultas públicas aos registros empresariais e ao portal Dívida Aberta.
O caso ganhou repercussão nacional depois que imagens registradas pelo jornalista francês Raphaël Bernard mostraram Martins conduzindo um homem negro preso por uma corrente durante uma caminhada bolsonarista na Barra da Tijuca, no sábado (24), véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
O homem acorrentado vestia roupas vermelhas com referências ao PT, usava chifres e segurava um tridente. Martins, vestido de verde e amarelo e com uma camiseta estampando o rosto de Flávio Bolsonaro, puxava a corrente enquanto gritava ofensas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após a repercussão das imagens, Carlos Eduardo Martins publicou um vídeo nas redes sociais tentando justificar a encenação. Ele afirmou que a situação não teve intenção racista e que se tratava de uma “sátira” para representar Lula como o diabo sendo preso.
O homem acorrentado foi identificado apenas como Sérgio. No vídeo de retratação, os dois aparecem juntos, e Martins pede desculpas a quem se sentiu ofendido.
A justificativa, porém, não impediu a mobilização de autoridades para investigar o episódio. O Ministério da Igualdade Racial encaminhou pedido de apuração ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, diante dos indícios de prática de racismo.
A pasta classificou a cena como inaceitável e destacou a associação histórica entre pessoas negras acorrentadas e o período da escravidão no Brasil.
CRIME DE RACISMO
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que o caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Diligências estão em andamento para esclarecer as circunstâncias do episódio e apurar eventual responsabilidade criminal.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) também informou que analisaria as imagens.
A encenação ocorreu durante um ato de apoio a Flávio Bolsonaro na Barra da Tijuca, que reuniu aliados e apoiadores do então candidato. A manifestação contou com a presença de lideranças políticas bolsonaristas.
A descoberta das dívidas empresariais de Martins acrescentou um novo elemento à repercussão do caso. Procurado pela Alma Preta, o empresário não respondeu até a publicação da reportagem. O Metrópoles também informou que tentava localizar sua defesa e manteve aberto o espaço para manifestação.
A investigação policial deverá esclarecer as circunstâncias da encenação e se houve prática de crime, independentemente da justificativa apresentada pelos envolvidos.
Fonte: https://horadopovo.com.br/bolsonarista-que-acorrentou-homem-negro-em-ato-pro-flavio-deve-mais-de-r-1-milhao-em-impostos/

