Derrotamos, nas eleições, numa batalha épica, o bolsonarismo. Está morto? Não! Está derrotado. O que isso quer dizer? Quer dizer o óbvio: ou damos um passo adiante ou voltamos para trás (desculpem o pleonasmo).
O passo adiante é um plano emergencial de reindustrialização do país.
Agora é hora de comer o mingau pelas beiradas (antes que esfrie). De levantar para as massas a bandeira do desenvolvimento nacional soberano.
Para tanto, o mais importante, antes tarde do que nunca, é baixar significativamente os juros. É isso, ou não se terá recursos do Estado para financiar a industrialização nem os programas sociais. Transformaremos a vitória num estelionato eleitoral.
A hora é de ampliar significativamente o investimento público, ter iniciativas concretas e dar prioridade à indústria de defesa, assim como retomar o processo de reestatização da BR Distribuidora e das refinarias. De criar a estatal dos minerais raros, infra estrutura e tudo mais. Além, é claro, da obrigação de atender às necessidades crescentes do povo.
Uma coisa não se soma à outra, mas determina a outra. No momento, com a vitória eleitoral espetacular, temos força, mas também prazos (mais especificamente, quatro anos).
A virada do 1º para o 2º turno e a superação de nossas limitações em pleno voo, propiciaram a hegemonia da campanha nas redes e nas ruas e um expressivo acúmulo de forças do campo nacional.
A campanha sistemática de denúncias do fascismo bolsonarista e o acolhimento pelo governo Lula das reivindicações mais imediatas do povo foram determinantes na transformação da frustração em esperança.
Já para o lado imperialista, o mar não está para peixe. Trump está em apuros com as próprias eleições de meio de mandato e foi fragorosamente derrotado pelo povo americano. Depois da fuga do Flávio Bolsonaro, aqui no Brasil, na extrema direita, cada um atira para um lado.
Com o fascismo dividido, com o imperialismo isolado, a política econômica neoliberal desmoralizada e a moral do líder Lula readquirida, a situação está completamente favorável para um programa nacional de desenvolvimento.
Nestas questões não temos folga para ceder nem um tantinho.
CARLOS PEREIRA
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