A censura voltou ao centro do debate após o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinar que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) retire da sua página do Instagram cinco publicações com críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Mendonça justificou a medida com base na “aparente ilicitude da veiculação de propaganda eleitoral no perfil institucional de pessoa jurídica”, impondo restrição à circulação de críticas políticas feitas por uma entidade sindical durante o período eleitoral, justamente quando o debate conta com ampla participação da sociedade.
As cinco publicações atingidas pela decisão abordavam temas de interesse público, como as relações políticas do candidato, suas propostas econômicas e seu programa de governo sobre trabalhadores e aposentados.
Uma das postagens associava Flávio Bolsonaro ao chamado “Escritório do Crime” e a milícias, denunciando a relação do candidato com Adriano da Nóbrega e a morte da vereadora Marielle Franco.
Outras publicações denunciavam o plano de governo de Flávio em relação ao salário mínimo e as aposentadorias. Uma delas trazia a frase “Tal pai, tal filho. Plano de governo de Flávio põe aposentadorias em risco”, em referência à discussão sobre a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo.
As postagens também incluíam críticas à posição atribuída ao candidato sobre o Pix, com o argumento de que ele cederia a pressões dos Estados Unidos, a quem Flávio já afirmou estar alinhado, e à escala de trabalho 6×1, com a afirmação de que os trabalhadores perderiam sua folga semanal, uma vez que o partido do candidato já se posicionou contrário à PEC que reduz a escala.
Além de pedir a retirada das publicações, a campanha de Flávio Bolsonaro também tentou obter uma ordem que impedisse a CUT de divulgar novos conteúdos semelhantes, o que foi rejeitado por Mendonça, que não estendeu a decisão a publicações futuras.
A ação ocorre em meio a outra tentativa de censura no TSE envolvendo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, do deputado federal André Janones. O canal havia sido alvo de uma ordem de suspensão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após a campanha de Flávio Bolsonaro questionar os conteúdos publicados no espaço, sem provas de ilegalidade.
Posteriormente, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, derrubou a suspensão e autorizou o restabelecimento do canal. A decisão também apontou a necessidade de tratar eventuais conteúdos ilícitos de forma específica, em vez de impor automaticamente uma proibição abrangente. O caso foi encaminhado para análise do plenário do TSE.
Fonte: https://horadopovo.com.br/mendonca-censura-cut-por-criticas-a-programa-de-flavio-que-ameaca-trabalhadores/


