CESAR mira cobrança por performance com avanço da inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial (IA) está levando o Cesar a revisar a forma como entrega e captura valor em seus projetos. Entre as mudanças em discussão está a evolução de modelos de precificação baseados em esforço para uma lógica de performance. À frente dessa transição está Karla Godoy, executiva com 23 anos na instituição que assumiu o comando interino em abril e foi efetivada como diretora-executiva (CEO) em julho.

A discussão parte dos ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia no desenvolvimento de software. Karla Godoy cita como exemplo hipotético projetos que antes poderiam exigir cerca de cem profissionais e que, com as novas ferramentas, poderiam ser executados por equipes de 20 ou 30 pessoas. A mudança, segundo a executiva Karla, pressiona contratos associados à quantidade de profissionais e horas trabalhadas. “A precificação não pode mais ser baseada em homem-hora. Os modelos de negócio precisam evoluir para uma lógica de entrega por performance”, afirma Karla.

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A transformação combina a busca por novos modelos de negócio com a adoção interna de IA generativa em processos de codificação, design e testes. Para estruturar essa transição, a organização desenvolve iniciativas em diferentes frentes.

Uma delas é o Laboratório de Experimentação, Aprendizagem e Performance (Leap). Inaugurada neste ano, a estrutura concentra testes com IA, novas ofertas e modelos de negócio, com o objetivo de incorporar os aprendizados aos projetos regulares da instituição.

Outra frente envolve a meta de tornar o Cesar uma organização IA Native. Para acompanhar esse processo, o centro criou uma metodologia própria de maturidade, com uma escala de cinco níveis que considera dimensões como pessoas, cultura, tecnologia e modelo de negócio. O objetivo é chegar ao nível quatro até o fim de 2026. “Uma organização IA Native muda seus processos, a forma de tomar decisões, as entregas e o próprio modelo de negócio a partir de uma tecnologia de ruptura”, explica Karla.

A geração de receita a partir de novos modelos de negócio e novas ofertas será uma das métricas utilizadas para acompanhar a transformação. A estratégia busca ampliar a capacidade do Cesar de capturar valor em projetos nos quais a IA modifica processos de desenvolvimento e aumenta a produtividade das equipes.

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Retomada de spin-offs

A gestão de Karla também prevê a retomada da criação de negócios a partir do conhecimento produzido na própria instituição. A estratégia busca recuperar a capacidade de gerar empresas a partir do Cesar, como ocorreu no passado com Neurotech e Tempest.

Nos últimos anos, parte dessa atuação esteve concentrada em uma estrutura de venture building dedicada à aceleração tecnológica de startups criadas fora da organização. Segundo dados fornecidos pelo Cesar, atualmente são 14 startups no portfólio e mais de 1,7 mil negócios impulsionados nos últimos anos.

Agora, pesquisadores, colaboradores, professores e estudantes da Cesar School também deverão impulsionar a busca por novas oportunidades. A organização reúne mais de 100 profissionais com doutorado, segundo Karla, e pretende aproximar esse conhecimento da criação de produtos, ativos e empresas.

“Estamos trabalhando para criar um ambiente que favoreça novamente o surgimento de novos negócios, como aconteceu ao longo da história do Cesar”, afirma. O movimento também prevê maior aproximação com o Porto Digital, ecossistema de inovação do Recife do qual o Cesar participou da formação.

Cibersegurança, área estratégica para IA, ganha espaço

A cibersegurança é outra área de concentração de pesquisa e desenvolvimento. O Cesar opera o Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética (CISSA), credenciado em 2024 e, segundo a instituição, único centro de competência dedicado à área credenciado pela Embrapii no País.

A estrutura reúne cerca de 130 pesquisadores e atua em pesquisa, formação de talentos, aceleração de startups e conexão entre empresas, governo e instituições de ensino. Entre as linhas de investigação estão gestão de identidade e acesso, proteção e privacidade de dados e inteligência de ameaças.

Entre os dias 21 e 25 de setembro, o Cesar receberá em Recife um dos hubs do Exercício Guardião Cibernético 2026, coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro. A iniciativa deverá reunir cerca de 350 organizações em simulações voltadas à prevenção, resposta e coordenação diante de incidentes cibernéticos.

Karla afirma o fortalecimento dessa área à expansão da IA nas organizações e à necessidade de ampliar as discussões sobre segurança, riscos e governança.

“O uso de ferramentas de IA avança rapidamente, mas precisamos compreender o que está por trás desses algoritmos e ampliar a discussão sobre governança”, afirma.

A revisão dos modelos de negócio ocorre em um ano para o qual o Cesar projeta um ritmo de crescimento inferior ao registrado recentemente. Após alcançar mais de R$ 435 milhões em receita em 2025, alta de 20%, a organização prevê expansão entre 10% e 15% em 2026. Para Karla, a prioridade está na capacidade de transformar a operação, desenvolver novas ofertas e criar fontes adicionais de receita. “O crescimento é consequência”, encerra.

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Fonte: https://itforum.com.br/cesar-cobranca-inteligencia-artificial/