CIOs do setor financeiro aceleram IA mas carecem de governança

Nove em cada dez diretores de tecnologia da informação (CIO) do setor financeiro aceleraram a adoção de inteligência artificial (IA) no último ano, mas a maioria ainda carece de governança e capacidade para escalar as iniciativas. Os dados são do Logicalis CIO Report 2026, levantamento realizado com mil profissionais de negócios e tecnologia em regiões que incluem Europa, Ásia-Pacífico e Américas.

O estudo revela que 96% dos CIO do segmento registraram crescimento no interesse pela tecnologia ao longo de 2025. Ainda assim, 52% dos executivos afirmam não ter confiança de que suas organizações dispõem de um roteiro consistente para orientar a evolução da IA nos próximos anos, e a mesma proporção avalia que a implementação avança rápido demais. Outros 89% reconhecem que suas empresas aprendem na prática, à medida que implantam novas soluções.

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A pesquisa foi conduzida pelo especialista independente Vanson Bourne, contratado pela Logicalis ao final de 2025. No Brasil, foram entrevistados 100 profissionais, todos em nível de gerência ou acima, de empresas com pelo menos 250 colaboradores.

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Escalar além das provas de conceito

A IA já produz ganhos concretos no setor; 55% dos CIO apontam melhora na prestação de serviços, 51% na experiência do cliente e 47% em análises preditivas. Transformar essas iniciativas em capacidades corporativas amplas, porém, é o principal obstáculo. Segundo o estudo, 68% dos executivos do segmento financeiro não estão confiantes de que conseguirão expandir os projetos para além das provas de conceito.

As barreiras identificadas pelos próprios CIO estão menos ligadas à tecnologia e mais à maturidade organizacional. Regulamentação e conformidade preocupam 90% dos entrevistados; desafios com dados afetam 89%; cultura organizacional representa obstáculo para 84%; e escassez de competências técnicas aparece em 82% das respostas.

O diretor de tecnologia da Logicalis Brasil, Fabio Hashimoto, afirma que o papel dos CIO vai além da implementação. “Os CIO do mercado financeiro estão assumindo um papel ainda mais estratégico. Eles não são apenas responsáveis por implementar novas tecnologias, mas por criar modelos de governança que permitam escalar a inteligência artificial com segurança, transparência e alinhamento aos objetivos do negócio. A vantagem competitiva não estará apenas em adotar IA primeiro, mas em fazê-lo de forma sustentável e responsável”, diz.

Riscos de segurança em expansão

O avanço da IA também amplia os riscos cibernéticos nas instituições financeiras. O levantamento mostra que 78% das organizações do setor nas regiões pesquisadas sofreram incidentes cibernéticos no último ano, e 27% dos CIO já classificam a tecnologia como risco significativo para os negócios.

Entre os desafios específicos, 35% dos executivos afirmam que a IA criou novos pontos cegos de segurança e 40% relatam aumento no tempo de resposta a incidentes. A falta de controle interno sobre as ferramentas em uso também preocupa; 65% dos CIO não têm confiança de que possuem visibilidade completa sobre as soluções de IA adotadas na organização, e 66% avaliam que seus modelos de governança não acompanham a velocidade de evolução da tecnologia.

O fator humano reforça essa preocupação. Para 67% dos entrevistados, o treinamento dos colaboradores ainda é insuficiente. Quase metade (48%) acredita que o uso inadequado de ferramentas de IA pelos funcionários representa risco direto à segurança dos dados corporativos.

IA agêntica no horizonte

A próxima etapa estratégica para o setor aponta para sistemas com autonomia crescente. Cerca de 59% das organizações financeiras pretendem investir em IA agêntica nos próximos 12 meses, tecnologia que permite a agentes inteligentes executar tarefas, tomar decisões e coordenar processos com mínima intervenção humana.

Para sustentar essa transição, 97% dos CIO afirmam que pretendem ampliar o uso de provedores de serviços gerenciados nos próximos anos. A computação quântica também começa a entrar no radar; 28% dos executivos acreditam que ela poderá impactar seus modelos de negócio já nos próximos dois anos.

Hashimoto vê nessa fase uma redefinição do papel da liderança de tecnologia. “Estamos entrando em uma era em que os CIO deixam de liderar apenas projetos de transformação digital para arquitetar ecossistemas inteligentes, nos quais pessoas, agentes de IA e parceiros tecnológicos trabalham de forma integrada. O diferencial competitivo será construir ambientes em que inovação, governança, segurança e responsabilidade evoluam na mesma velocidade”, conclui.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/cios-financeiro-ia-governanca/